Perspetiva de mais subidas das taxas de juro agrava preço da dívida soberana no mercado secundário

Uma inflação mais persistente do que os banqueiros centrais esperavam despoletou um ciclo de aperto monetário que ficará para a história.

Perspetiva de mais subidas das taxas de juro agrava preço da dívida soberana no mercado secundário
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Os juros das dívidas soberanas agravaram-se esta quinta-feira na Zona Euro e nos Estados Unidos num dia em que os investidores deram como certo que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos deverá continuar a subir as taxas de juro, podendo ir mais longe do que o esperado.

Os dados robustos do mercado de trabalho dos EUA motivaram um novo realinhamento de expectativas para os próximos movimentos da Fed e BCE.

Se a perspetiva de mais subidas das taxas de juro desencadeou o pior dia da bolsa desde o colapso do Credit Suisse, no mercado secundário da dívida a venda também se fez sentir fortemente, empurrando as taxas de rendibilidade das obrigações soberanas de diferentes países para máximos que não se viam há anos.

O caso mais marcante foi o dos Estados Unidos, com uma Fed que parece mais do que disposta a continuar a endurecer a sua política monetária, a obrigação a 2 anos atingiu um rendimento de 5,12%, o mais elevado desde 2007, antes de se moderar para cerca de 5%. A obrigação a 10 anos estava em 4,05%, cerca de 19 pontos de base abaixo do anterior pico em outubro de 2022.

No mercado de obrigações a reação aos dados económicos nos EUA foi mais acentuada. A yield das obrigações a dois anos atingiu um máximo de 2007 e a taxa dos títulos a 10 anos voltou a superar os 4%, pela primeira vez desde março, segundo uma análise da BA&N, no research Morning Call.

Também o jornal espanhol “Cinco Días” aborda o tema frisando que as taxas de rendibilidade das obrigações de curto prazo dos EUA aproximam-se dos máximos de 2007, com os investidores a fugirem devido aos receios da Fed.

A probabilidade de os juros nos EUA subirem este mês aumentou para 89% e o mercado aguarda um segundo agravamento este ano. A maior alteração é visível sobretudo na evolução dos juros a longo prazo, segundo a BA&N.

Para além dos Estados Unidos, a situação repetiu-se na Europa. As obrigações alemãs a 2 anos ameaçara, ultrapassar a barreira dos 3,33%, o que a levaria diretamente para os níveis de 2008.

A dívida soberana  espanhola com o mesmo prazo de vencimento ultrapassou hoje um novo limiar. Com uma yield de 3,69%, está a níveis que não se viam desde a crise da dívida de 2012, destaca o Cinco Días.

A dívida portuguesa a 10 anos tem os juros nos 3,34% e Itália tem os juros soberanos nos 4,37%.

Na Europa, as yields deram um salto superior a 10 pontos base, com a taxa das bunds alemãs a atingiram máximos de março, realça a análise da BA&N.

No que ao BCE diz respeito, a probabilidade de subida de juros em junho é de 92%, com o mercado a apontar para um segundo agravamento até outubro.

Uma inflação mais persistente do que os banqueiros centrais esperavam despoletou um ciclo de aperto monetário que ficará para a história. Nos últimos dois anos, o BCE aumentou o preço do dinheiro oito vezes. O Banco de Inglaterra fê-lo 13 vezes. Apesar disto e dos receios de uma possível recessão económica, os indicadores continuam a apontar para a resiliência da economia americana.

A sessão de ontem foi marcada por um sell off simultâneo nas ações e obrigações nos mercados globais, com o regresso de um padrão que foi habitual em 2022.

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