Pequenas frotas de TVDE em Portugal estão a perder por ano 47 milhões por ineficiência e hiperfragmentação do mercado

Startup portuguesa GalgoSheets quantificou este valor derivado da ineficiência e hiperfragmentação do mercado em Portugal. Das 10 mil frotas contactadas pela GalgoSheets desde que entrou há um ano no mercado, 23,4% já abandonaram a atividade por falta de rentabilidade.

Pequenas frotas de TVDE em Portugal estão a perder por ano 47 milhões por ineficiência e hiperfragmentação do mercado
MÁRIO CRUZ/LUSA

Os motoristas e pequenas frotas de TVDE em Portugal estão a perder por ano 47 milhões de euros devido à ineficiência e hiperfragmentação do mercado. Uma verba que até agora não tinha sido quantificado, mas que foi conseguido pela startup portuguesa GalgoSheets, que recebeu um investimento de 150 mil euros para acelerar uma solução tecnológica para mapear a verba perdida e recuperá-la.

Presente no mercado há pouco mais de um ano, a startup tem acordos com Bolt e Uber e já gere o software usado por quase 10% dos motoristas ativos no país. Os 150 mil euros de investimento foram provenientes da LX Launch, uma venture studio focada na criação e desenvolvimento de startups de inteligência artificial e com o objetivo de ajudar a expandir a operação da GalgoSheets no país, triplicando a sua quota de mercado.

A startup desenvolveu um sistema operativo e de pagamentos integrado que sincroniza automaticamente a faturação semanal proveniente de plataformas como a Uber e a Bolt com as despesas reais das frotas, tais como consumos de combustível e portagens Via Verde, permitindo reduzir em 16% as perdas financeiras geradas por erros humanos de cálculo.

Atualmente existem cerca de 14 mil empresas ativas a gerir 35 mil veículos — uma média de apenas 2,5 carros por empresa. Das 10 mil frotas contactadas pela startup que entrou no mercado, 23,4% já abandonaram a atividade por falta de rentabilidade.

Esta falta de escala penaliza as microempresas em quatro frentes principais: custos administrativos supérfluos (3,2 milhões de euros/ano); combustível mais caro (12,7 milhões de euros/ano), com os operadores de pequena dimensão a não terem força negocial para aceder aos descontos de combustível de cerca de 12 cêntimos por litro dos grandes operadores, perdendo uma potencial poupança de 7%; importação de veículos sem liquidez (13,5 milhões de euros/ano), com a importação direta a permitir poupar até 15% (cerca de 18 mil euros por carro importado), mas exige pagamento a pronto; seguros fracionados com sobrecusto: Sem liquidez para pagar os seguros obrigatórios a pronto (2.500 euros/ano), as frotas fracionam o pagamento mensalmente, sofrendo um agravamento de 20% no preço.

Perante este cenário a startup pretende atuar como intermediária de crédito, utilizando uma base de dados analítica para avaliar com precisão o risco financeiro das frotas e encaminhá-las para financiadoras credíveis, resolvendo o problema crónico de liquidez na importação de viaturas e seguros.

Vasco Sampaio, fundador e CEO da GalgoSheets, salienta que o problema comum a todas as frotas são os pagamentos semanais aos motoristas: por lei, estes não podem trabalhar para as plataformas a título individual, apenas através de frotas registadas.

“As plataformas transferem o dinheiro semanalmente às frotas, e os donos têm de pagar aos motoristas, descontando combustível, portagens e aluguer da viatura. É um processo complexo pela falta de tecnologia e de literacia financeira de muitos frotistas. O nosso objetivo imediato é consolidar a liderança em Portugal: atualmente servimos cerca de 8% a 10% do mercado e ambicionamos alcançar os 30% de quota”, refere.

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