Todos vão notando de forma mais evidente nos últimos meses, as constantes alterações climáticas que vão ocorrendo. Ora não chove e estamos em risco de seca profunda, ora temos chuvadas extremas, ora faz frio, ora o calor invade os dias. De tudo um pouco, fazendo-nos readaptar e questionar o porquê de tantas e tantas mutações momentâneas.
O Governo e os partidos políticos dissertam em constantes discussões públicas, apresentam propostas e medidas de todo o tipo, mas sem soluções à vista, neste tema incontornável que faz antever um futuro pouco sorridente para a nossa comunidade e para a Humanidade em geral.
No Parlamento pede-se sustentabilidade ambiental e valorização dos recursos naturais, mas tem havido uma palavra muito presente na ação partidária: Transição! Transição climática, transição energética, transição digital, transição demográfica, entre tantas outras, que o mesmo é dizer que Portugal e o mundo estão em constante mutação e que se procura entender, adaptar, compreender e ter as melhores soluções para os fenómenos que o nosso planeta sofre e continuará a sofrer.
Pelas consequências que afetam todos e cada um de nós, patentes nos recentes estudos trágicos, assustadores e temíveis, que apontam a influência humana como responsável pelo acelerado e sem precedente aquecimento do nosso planeta.
Nessa medida, é fulcral que cada português avalie a ação governativa e partidária que contenha novas e evolutivas políticas do ambiente e desenvolvimento sustentável, com foco central e constitucional nas alterações climáticas, na transição energética, na proteção da biodiversidade e na gestão eficiente dos nossos recursos naturais.
Na dimensão da transição climática, o compromisso e contributo de Portugal têm de permitir o alcance da neutralidade carbónica até ao ano de 2050, evitando os efeitos do aquecimento global.
Ora, o aumento acelerado da temperatura, a perda da capacidade de absorção e captura do dióxido de carbono da atmosfera e a redução deste no ar, assim como a subida do nível das águas do mar, as chuvas fortes e inundações, os furacões e ciclones tropicais, são algumas das severas consequências que já vivenciamos e que se irão multiplicar num futuro muito próximo, se não formos mais preventivos do ponto de vista público. Ações essas que devem incidir em pelo menos seis dimensões, com intervenção em áreas estratégicas: o mar, a mobilidade sustentável, a descarbonização da indústria, as energias renováveis, a bioeconomia e a eficiência energética nos edifícios.
Aparentemente, recursos financeiros com as dotações específicas do PRR português não faltam para atingir a integração climática. São mais de 1/3 (38% do valor global), o que tem faltado é empenho, estratégia e ensejo para executar. Assumir a ação climática como prioridade efetiva, e o ambiente como fator de coesão territorial, é contribuir para a diminuição dos impactos socioeconómicos nas pessoas e nas desigualdades no nosso território, a única casa partilhada que temos.
É inequívoco que façamos a nossa parte, dando cada um a nossa contribuição, mesmo tendo consciência de que a nossa passagem por cá não será eterna. É igualmente perentório que deixemos o planeta da mesma forma que um dia o encontrámos, para que as gerações futuras desfrutem do que outrora também desfrutámos, com a mesma qualidade, conforto e bem-estar.
E, com tanto mal que temos vindo a fazer, devemos até ir mais longe: tudo fazer para deixarmos este mundo melhor do que o encontrámos. A paz da Humanidade também terá de ser ambiental.