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O preço médio do leite comprado a produtores individuais caiu para 0,447 euros por quilograma (kg), o valor mais baixo, pelo menos, desde o início deste ano, segundo dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP).
Neste período, o valor mais elevado foi registado em janeiro (0,465 euros por kg).
Antes disso, entre janeiro e março, o preço estava numa trajetória descendente, passando de 0,462 para 0,456 euros por kg.
A partir de abril regressou às descidas, caindo para 0,450 euros em maio e para 0,447 euros em junho.
Por sua vez, o preço do leite biológico à produção também desceu no período em análise, passando de 0,552 em janeiro para 0,509 euros por kg em junho.
No mesmo sentido, o leite em pó (à saída da fábrica) custava 204,05 euros por 100 kg em 05 de janeiro e 222,21 euros em 23 de março (últimos dados disponíveis).
Segundo os dados disponibilizados pelo GPP, já a manteiga apresenta uma evolução positiva, uma vez que custava 409,57 euros por 100 kg em 06 de abril e passou a 448,99 euros em 27 de abril.
O queijo flamengo (à saída da fábrica), por seu turno, passou de 666,57 euros por 100 kg em janeiro para 672.43 euros no mês seguinte.
No início de agosto, os produtores de leite contestaram uma nova descida do preço pago ao produtor e exigiram a sua reposição em setembro, alertando para o abandono da atividade numa altura em que os custos de produção aumentaram.
De acordo com a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep), as cooperativas associadas na Lactogal comunicaram no final de julho uma nova descida de 1,5 cêntimos por litro no preço ao produtor a partir de 01 de agosto, em todo o território continental.
Por sua vez, na ilha de S. Miguel, nos Açores, “a Prolacto e a Insulac já responderam com descidas de dois e 1,5 cêntimos por litro, justificando a descida com a situação dos mercados a nível nacional e internacional”.
Contactada agora pela Lusa, a direção da Aprolep disse que nem as cooperativas nem as indústrias privadas responderam de forma positiva ao seu apelo.
“Os compradores que não tinham acompanhado a descida da Lactogal em Agosto desceram agora em setembro, todos em linha”, lamentou.
De acordo com a Aprolep, no acumulado de 2026, as descidas do preço do leite vão representar menos 60 milhões de euros para os produtores.
“Aguardamos resposta do Governo sobre a descida do preço, o aumento dos custos de produção, as promoções agressivas com leite dos Açores e as importações de leite francês pelo Intermarché. As ajudas anunciadas pelo Governo para todos os agricultores, relacionadas com fertilizantes e gasóleo, são claramente insuficientes e inferiores às que foram concedidas aos nossos colegas agricultores espanhóis”, sublinhou a direção da Aprolep.
A Lusa contactou, na terça-feira, a Lactogal e o Ministério da Agricultura, mas ainda não obteve resposta.
Estudar Psicologia é uma coisa, estudar Engenharia, outra. A área de estudo é determinante para aferir a qualidade do emprego que se vai ter, revela o estudo Resultados no mercado de Trabalho dos Diplomados do Ensino Superior, do portal EDULOG, think tank para a educação da Fundação Belmiro de Azevedo, divulgado esta quinta-feira, 3 de setembro.
O fator que mais define o risco de desemprego ou a qualidade do emprego não é o nome da instituição, se é universidade ou politécnico, se é pública ou privada – é área que se estuda.
Os diplomados de Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas apresentam uma probabilidade de desemprego, pelo menos, 10 pontos percentuais superior à dos diplomados de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção, adianta o estudo. É assim à entrada do mercado de trabalho, mas também cinco anos depois da conclusão dos estudos, embora com menos expressão.
A nota final do curso é a variável mais consistentemente associada ao desemprego, tendo estudantes com melhores médias finais menor probabilidade de desemprego.
O género também apresenta um efeito relevante, com as mulheres a registarem uma probabilidade significativamente mais elevada de desemprego, embora apenas cinco anos após a conclusão do curso.
A experiência profissional está associada a uma menor probabilidade de desemprego apenas no primeiro ano, enquanto a idade e a experiência internacional durante o curso não apresentam efeitos significativos.
O mestrado está associado a uma menor probabilidade de desemprego face à licenciatura; contudo, ao fim de 5 anos, a diferença deixa de ser estatisticamente significativa. Esse efeito verifica-se apenas na coorte mais recente e em três áreas: Línguas; Ciências Sociais, Jornalismo e Informação; e Gestão e Administração.
Já o tipo de instituição frequentada – se é pública ou privada, universitária ou politécnica – não apresenta, em geral, efeitos estatisticamente significativos sobre a probabilidade de desemprego, reforçando o peso da área de formação.
Conseguir emprego não é o mesmo que ter um emprego de qualidade
O estudo analisa cinco dimensões da qualidade do emprego: salário por hora, estabilidade contratual, satisfação, sobrequalificação e alinhamento entre formação e emprego.
TIC e Engenharia destacam-se pelos diferenciais salariais positivos e por níveis mais elevados de satisfação, sendo as TIC também associadas a maior estabilidade contratual. No outro prato da balança figuram várias áreas das Artes, Humanidades, Bem-estar e Serviços.
A sobrequalificação (nível de escolaridade superior ao normalmente exigido por aquele emprego) é a forma mais frequente de desalinhamento verificada no estudo. Entre os diplomados de 2020/21, atinge 50,6% em Humanidades, 50% em Serviços e 46,3% em Artes, face a 6,2% em Medicina e Medicina Dentária.
Os detentores de mestrado de ciclo curto têm maior probabilidade de sobrequalificação do que os licenciados. Ou seja, Portugal tem dificuldade em colocar os seus diplomados mais qualificados em funções que correspondam ao seu nível de estudos.
Mulheres mais expostas
As mulheres diplomadas estão, no geral em situações bastante menos favoráveis no mercado de trabalho, quando comparadas com os homens. Por norma, registam menor estabilidade contratual, remunerações significativamente mais baixas e níveis inferiores de satisfação com o emprego e apresentam, igualmente, maior risco de sobrequalificação.
Mulheres, diplomados com desempenho académico mais baixo, percursos não universitários e trabalhadores a tempo parcial apresentam igualmente maior probabilidade de enfrentar múltiplas desvantagens em simultâneo.
O estudo compara os resultados de duas coortes em diferentes momentos da transição para o mercado de trabalho: diplomados de 2016/17 inquiridos cinco anos após a conclusão do curso e diplomados de 2020/21 inquiridos um ano após a conclusão.
O que diz o autor
“A área escolhida pelos estudantes tem um peso muito significativo nos seus resultados profissionais e esse efeito vai muito para além de conseguir ou não um emprego”, salienta Ricardo Biscaia, coordenador do estudo.
“Precisamos de olhar também a diversos critérios da qualidade do emprego, como os salários, a estabilidade contratual, a satisfação e para a adequação entre formação e trabalho. É importante garantir que estudantes e famílias dispõem de informação rigorosa para poderem decidir de forma verdadeiramente informada, uma vez que o resultado da frequência no ensino superior não é uniforme no mercado de trabalho.”
Recomendações
Os resultados sugerem que a qualidade do emprego deve ser analisada sobretudo a partir das áreas de estudo, e não da instituição frequentada.
“O EDULOG sugere, por isso, prudência na utilização da empregabilidade como critério suficiente ou exclusivo para ajustar a oferta de vagas e aponta para a necessidade de reforçar a informação e os mecanismos de acompanhamento dos diplomados”.
Considera-se que é preciso “mais e melhor informação sobre os resultados profissionais das diferentes áreas de formação” e que é necessário reforçar a transparência sobre remuneração, estabilidade contratual, satisfação e adequação entre formação e emprego.
“Informação mais precisa ao nível das áreas de estudo poderá também funcionar como instrumento de equidade, uma vez que os estudantes em situação de maior desvantagem tendem a concentrar-se em áreas com resultados médios de qualidade do emprego mais baixos”.
O fenómeno El Niño está “firmemente estabelecido” e deverá intensificar-se ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade “muito forte” com uma probabilidade “próxima dos 100%” de durar até fevereiro de 2027, alertou hoje a Organização Meteorológica Mundial.
“O El Niño estabeleceu-se firmemente e irá intensificar-se, tornando-se um fenómeno muito forte nos próximos meses, com repercussões significativas nos padrões de temperatura e precipitação, bem como nos riscos associados de inundações, secas e calor extremo”, alerta uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM).
Espera-se que o fenómeno “se intensifique ainda mais nos próximos meses, atingindo uma intensidade muito forte antes de atingir o pico no final de 2026”, alerta ainda a OMM.
Além disso, a organização sublinha que as últimas previsões sazonais dos centros de produção globais da OMM indicam uma “probabilidade excecionalmente elevada”, de quase 100%, de que o El Niño persista até fevereiro de 2027.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a intensificação nos próximos meses do fenómeno El Niño, realçando que o mundo vive uma situação de “alto risco” com eventos climáticos extremos.
“A ciência é inequívoca: o planeta está a entrar em águas desconhecidas, e essas águas estão a aquecer. As temperaturas da superfície do mar estão a atingir níveis recorde, os termómetros continuam a subir e encontramo-nos numa zona de alto risco onde os eventos climáticos extremos estão a tornar-se a nova normalidade”, disse Guterres em comunicado.
António Guterres sublinhou que “este evento excecional do El Niño exige uma preparação e uma resposta excecionais”.
“Não há tempo a perder. Está em curso uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir contra as alterações climáticas e proteger as pessoas. É uma corrida que devemos ganhar”, disse.
O El Niño é um fenómeno natural que se repete a cada dois a sete anos. As águas superficiais do Pacífico equatorial central e oriental começam a aquecer na primavera, levando a grandes alterações nos padrões de vento, pressão e precipitação em todo o mundo nos meses seguintes.
As temperaturas da superfície do mar nesta zona do Pacífico equatorial já estão significativamente acima da média e continuam a subir.
As temperaturas estiveram, em média, 1,5 graus acima do normal entre maio e julho de 2026, passandio para dois graus acima do normal em julho, segundo a OMM, que refere ainda leituras de 2,2 graus a 2,6 graus acima da média entre o final de julho e meados de agosto, “o que demonstra o contínuo fortalecimento do fenómeno”.
Abaixo da superfície do oceano, as temperaturas oceânicas estiveram ainda mais de 08 graus acima da média em algumas áreas durante julho e início de agosto.
Embora cada El Niño seja diferente, o fenómeno causou ou intensificou historicamente secas e riscos de incêndio em partes da Amazónia, América Central, Indonésia e Austrália, interrompeu a monção na Índia e trouxe chuvas torrenciais para a África Oriental.
Este fenómeno soma-se às alterações climáticas causadas pelas atividades humanas, exacerbando os eventos climáticos extremos.
Para o período de setembro a novembro deste ano, as previsões da OMM indicam um aumento da probabilidade de temperaturas acima da média em quase todas as massas terrestres, bem como padrões de precipitação consistentes com uma resposta atmosférica forte e clássica a um El Niño intenso no Pacífico.
No ano seguinte ao El Niño, o calor armazenado no oceano é libertado para a atmosfera, contribuindo geralmente para o aumento das temperaturas globais, levando muitos cientistas do clima a prever que 2027 será o ano mais quente de que há registo.
O ano mais quente até à data é 2024, depois do último El Niño.
O Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) promove, no próximo dia 15 de setembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, a sua Conferência Anual ESG, dedicada ao tema “Estratégia Empresarial, Qualidade de Dados e Financiamento”, num momento em que a integração dos critérios ambientais, sociais e de governação ganha crescente relevância na avaliação do risco e no acesso ao crédito.
O encontro, que conta com o apoio das quatro grandes auditoras – Deloitte, EY, KPMG e PwC –, irá analisar de que forma os riscos climáticos estão a influenciar as decisões de financiamento e a reconfigurar as prioridades estratégicas das empresas, num contexto de aceleração regulatória e de exigência crescente por parte de investidores e instituições financeiras.
De acordo com o programa divulgado esta quinta-feira, a conferência abordará, em quatro painéis, a integração da sustentabilidade na estratégia empresarial, a qualidade da informação não financeira (ESG), os desafios do reporte obrigatório e o impacto da nova regulamentação europeia, designadamente a Diretiva de Relato de Sustentabilidade Empresarial (CSRD) e o Regulamento de Taxonomia.
O painel sobre riscos climáticos contará com a participação de representantes do Banco de Portugal e da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que irão discutir o papel da supervisão na avaliação da exposição do setor bancário e financeiro a choques climáticos e de transição, bem como a fiabilidade dos dados reportados pelas empresas cotadas.
Em mesa-redonda dedicada à estratégia e financiamento, marcam presença responsáveis da NOS, do Novobanco, da Floene e da Benfica SAD, que partilharão casos práticos sobre a incorporação de critérios ESG nos modelos de negócio e nas relações com os bancos e os mercados.
A abertura dos trabalhos estará a cargo de João Moreira Rato, presidente da Direção do IPCG, enquanto o encerramento será conduzido por António Gomes Mota, presidente do Conselho Geral do instituto.
O IPCG sublinha, em comunicado, que “a qualidade e a comparabilidade dos dados sobre sustentabilidade são hoje tão críticas como a informação financeira tradicional”, e que a conferência visa “contribuir para um debate informado entre empresas, reguladores, auditores e financiadores sobre os desafios práticos da transição energética e da descarbonização”.
As reservas de gás da União Europeia (UE) estão em 65%, no início de setembro, o que representa o nível mais baixo em 15 anos, de acordo com o Wall Street Journal, e um valor abaixo da média sazonal que se encontra em cerca de 80%.
De acordo com a publicação BiGo Finance o nível de reservas de gás que a UE detém nesta altura deve-se a um erro de cálculo. O bloco europeu vinha adiando as compras de gás na expetativa de que o conflito no Médio Oriente, que se iniciou em fevereiro entre Estados Unidos, Israel, e Irão, tivesse um desfecho rápido, permitindo que o gás natural vindo do Qatar voltasse a passar pelo Estreito de Ormuz a um preço mais baixo. Contudo o cenário de momento não se concretizou. Aliás desde o fim-de-semana passado acabou por se agravar com uma nova vaga de ataques entre Estados Unidos e Irão.
Com o aumentar da tensão no Médio Oriente os preços do gás natural (no mercado europeu) atingiram o seu nível mais elevado desde 2023 quando transacionavam nos 74,32 euros por megawatt-hora na quarta-feira 2 de setembro, assinalou a mesma publicação. Já os preços do gás natural (no Reino Unido) atingiram um pico que não se via há três anos.
“A Europa está a entrar no inverno com os níveis de armazenamento de gás mais baixos de que há registo. O mercado está a precificar isto como se estivesse tudo bem. Algo vai ter de quebrar eventualmente”, disse a responsável de gás da Europa Ocidental da empresa suíça de comercialização de energia MET Group, citada pela BigGo Finance.
Outro ponto que acabou por agravar o problema está ligado ao alívio das regras relativas ao armazenamento de gás na UE, descreveu a mesma publicação. Após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia, em 2022, da qual resultou um disparo no preço do gás, a União Europeia passou a exigir que os Estados-membros tivessem as suas instalações de armazenamento em pelo menos 90% até 1 de novembro. Mas em 2026 esse valor caiu para os 80%, com os sinais que a UE via no Presidente norte-americano, Donald Trump, de que se poderia chegar a um acordo que terminasse o conflito no Médio Oriente. O que até ao momento não sucedeu.
Mas existem alguns fatores que podem jogar a favor da União Europeia, como salienta a Big Go Finance. Um deles está ligado à redução estrutural da procura por gás como assinalou o analista de energia do think thank Bruegel, Ben McWilliams, que sugeriu que o armazenamento de gás no bloco europeu não necessita de ser tão alto referindo-se aos 90% exigidos pela UE após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia. O outro fator está ligado à tempestade El Niño. Com previsões a apontar que a tempestade pode durar até 2027 isso pode levar a que a Europa tenham um inverno mais quente levando a que a procura por aquecimento seja mais baixa na Europa.
A época especial dos exames do ensino secundário arranca esta quinta-feira, 3 de setembro, com 43.501 inscrições, cerca de metade das registadas na 2.ª fase realizada em julho. Termina dia 8.
Podem realizar as provas todos os alunos que reuniam condições para o terem feito na segunda fase, mesmo que não tenham chegado a realizar essas provas. Cada aluno pode inscrever-se em mais do que uma prova.
Português é o exame com maior número de inscritos: 9403 candidatos e Matemática A, o segundo com 8324 inscritos. Também os exames de Física e Química A ) e de Biologia e Geologia (6408) reúnem um elevado número de alunos, com 6674 inscrições e 6408, respetivamente.
O exame de Filosofia regista 2726 inscrições, o de Matemática Aplicada às Ciências Sociais, 1799, Economia A, 1674, e História A, 1453 candidatos.
A época extraordinária é uma medida excecional anunciada pelo ministro da Educação, Ciência e Inovação, em 20 de julho, destinada a mitigar problemas e constrangimentos no processo de classificação digital e nos atrasos na divulgação dos resultados da primeira fase dos exames nacionais, a forma de garantir, nas palavras e Fernando Alexandre, que “nenhum aluno será prejudicado pelas dificuldades técnicas na divulgação das classificações”.
A criação desta época especial obrigou a alterar o calendário da segunda fase de acesso ao ensino superior, que já se iniciou, mas apenas termina a 20 de setembro, a tempo de permitir que os alunos que agora realizarem os exames podem candidatar-se.
Para esta fase existem cerca de 11 mil vagas disponíveis