O nosso mundo está a passar por uma das maiores transformações tecnológicas de sempre. Uma dessas mesmas transformações está a acontecer no mercado segurador, afectando não só quem compra o risco, como a forma de consumir por parte dos clientes. Esta evolução tecnológica focada na digitalização, a crescente preocupação com o Costumer Experience e a necessidade de aumentar a competitividade de produtos e serviços, culminou na criação de empresas baptizadas de Insurtechs – startups que ligam o mercado de seguros aproveitando os benefícios da tecnologia.
Estes novos players, disruptores da realidade tradicional deste negócio, têm vindo a crescer e a afirmar-se tanto nos Estados Unidos como na Europa. Ao criarem novas formas de venda de produtos e ao optimizarem os processos burocráticos, conseguem aumentar a interacção com o cliente e obter, ao mesmo tempo, uma economia de custos para todas as partes.
Entre várias transformações, uma das mais significativas – até pela dimensão de mercado e tipologia de risco –, diz respeito ao sector automóvel com o desenvolvimento de plataformas inovadoras. Aliando o conhecimento que adquirem dos clientes, assim como da tecnologia, foram criadas soluções como o simples uso da telemática, que mune a seguradora com informação relativa ao tipo de comportamento de cada condutor (velocidade média, quilómetros feitos num ano, tipo de trajectos, etc..), que assim pode ajustar o prémio a cobrar (Truemotion).
Uma outra tendência de mercado é o conceito Pay per Use, um princípio de utilizador-pagador. Em suma, o cliente paga o que usa. Por exemplo, os condutores que façam poucos quilómetros pagarão menos do que os utilizadores com maior distância percorrida (Metromile).
Ao nível dos seguros de saúde também se perspectivam revoluções. Partilhando informação com a seguradora, o cliente poderá reduzir os custos (tecnologia similar à telemática através de wearables que vão enviando informação às seguradoras).
Estão dados os primeiros passos para soluções diferenciadores mais adaptadas a cada cliente, que pode agora configurar o seu produto optimizando o seu orçamento, permitindo assim um aumento da capacidade e disponibilidade de consumo de outros produtos. Com efeito, atendendo a esta nova realidade de interacção e proximidade com o cliente, as seguradoras poderão vender mais produtos e aumentar a integração dos consumidores no seu ecossistema.
Nos últimos anos, Portugal tem sido palco de eventos tecnológicos no que diz respeito a startups e a eventos promotores de ideias e conceitos. No entanto, o impacto no sector segurador foi mínimo e algo que poderia ser utilizado para acompanhar ou até mesmo ultrapassar o que neste momento está a acontecer noutros países não está a ser aproveitado. Tendo em conta o peso desta área na economia, será que 2018 vai ser o ano de arranque para uma nova realidade e necessidade?
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.