Os destinos instagramáveis deixaram de ser ‘sexy’

Viagens: Com o Médio Oriente ao rubro, a guerra impôs novas rotas para quem viaja em lazer. Mas, antes disso, já um movimento silencioso ganhava tração entre a Geração Z. Fugir a destinos instagramáveis e viver a descoberta.

Os destinos instagramáveis  deixaram de ser ‘sexy’
insta foto_viagens

Vamos abusar das expressões em inglês. City break. Short break. Low cost. Insta spots… Sim, lugares instagramáveis, a febre das selfies, o hedonismo do século XXI. Espécie de corolário da era em que apanhar um voo passou a ser uma espécie de estalar de dedos (para muitos, pelo menos), para depois se postarem fotos nas redes. Memórias? Algumas, mais à flor da pele do que em profundidade. E para onde vamos? Para uma cidade, claro. Escapadinha urbana, óbvio. Mas não só. Se a tendência tem sido muitas vezes ditada pelos lugares instagramáveis, mais recentemente, millennials e Geração Z começaram a trocar essa vertigem da selfie por uma aventura mais autêntica.

Cidades com menos pressão turística, idealmente fora do radar, passaram a estar no topo das suas preferências. A bucket list das viagens, que muito contribuiu para aumentar os fluxos de turismo em certas cidades e que saturaram redes como o Instagram e o TikTok, está a mudar os azimutes. Mais. A inteligência artificial passou a ser a ferramenta preferida para planear viagens. As dicas dos amigos e das redes sociais estão a perder peso. Agora, o best friend para encontrar destinos de viagem passou a ser a IA. Pelo menos é essa a conclusão do recente estudo da Kayak – uma ferramenta de pesquisa online que compara preços de voos, hotéis e pacotes de viagem – sobre tendências de viagem para a Geração Z e millennials.

Pérolas escondidas
Adeus destinos massificados e instagramáveis. Venham daí as “pérolas escondidas”. Segundo o estudo da Kayak para 2026, “What the Future (WTF) Report”, as publicações com a hashtag #hiddengem cresceram pelo menos 50%. O quer isto dizer? Que estes viajantes querem poder dizer que foram os primeiros a ‘descobrir’ o spot. É essa a vontade (ambição?) de 69% dos inquiridos da Geração Z e de 66% dos millennials, quando afirmam querer visitar lugares onde nunca estiveram antes. E quais são os destinos que estão agora no radar? Cork, Irlanda; Fez, Marrocos; Sofia, Bulgária;
Praia, Cabo Verde; Baku, Azerbaijão; Chongqing, China; Assunção, Paraguai; Barranquilla, Colômbia; Halifax, Nova Escócia, Canadá; Norfolk, Virgínia, EUA.

Se até aqui a meta era ver o máximo possível, a trend passou a ser relaxar a sério e fazer reset. Foi esse o desejo expresso por 66% dos inquiridos no referido estudo. O TikTok já serve de espelho a este novo foco no slow travel. Não faltam vídeos com propostas de viagens mais curtas, roteiros mais flexíveis e uma forte componente de bem-estar. Mas fica a dúvida. Será que o passo seguinte é manter em segredo os destinos de eleição. Ou será a partilha nas redes sociais uma tentação mais forte?

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