António Guterres, o novo secretário-geral da Organização das Nações Unidas, levantou o tema novamente nas últimas semanas. E só mesmo quando um português assume funções de tamanha relevância é que a novela futebolística é ultrapassada. Lembrei António Guterres mas também posso referir Jorge Moreira da Silva, que foi recentemente eleito diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE. Antes desses exemplos, tivemos Durão Barroso enquanto Presidente da Comissão Europeia, Freitas do Amaral que assumiu a Presidência da Assembleia Geral das Nações Unidas ou Jorge Sampaio, que foi apontado pelo então secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, como Enviado Especial para a Luta Contra a Tuberculose e, mais tarde, Alto Representante da ONU para a Aliança das Civilizações.
Além de serem portugueses e do sexo masculino, que denominador comum partilham? Uma vida política extremamente ativa. Nalguns casos chegaram mesmo a cargos de topo em governos nacionais. Não quero com esta observação traçar nenhuma ideia de facilitismo, pelo contrário, o objetivo passa por analisar o que a política conseguiu dar a estes homens.
Portugal goza de um sistema político extremamente dinâmico e, esquecendo por momentos os problemas que assolam muitas democracias europeias, tais como a abstenção ou o crescendo de forças partidárias extremistas, a participação ativa dos cidadãos na vida política é inegável. Mesmo que a perspetiva seja catastrofista, praticamente todos os cidadãos têm uma opinião a emitir quando se trata de política. Veja-se quando, há uns nove anos, a televisão pública auscultou milhares de cidadãos no programa “Grandes Portugueses”. Os primeiros três qualificados não foram escritores, cientistas ou desportistas. António de Oliveira Salazar, Álvaro Cunhal e Aristides de Sousa Mendes foram os nomes que ocuparam o lugar cimeiro na lista. Todos políticos, todos personalidades com elevado carisma e fortes capacidades de liderança.
Grande parte dos líderes nacionais que assumiram funções internacionais de topo saíram de um regime político de clausura de 40 anos. A dureza e a limitação de ações do regime político opressivo em que viveram fê-los maiores, mais resistentes à adversidade. Mas terá Portugal capacidade para manter uma “linha de produção” de líderes internacionais tão ativa como as gerações anteriores?
É na tentativa de responder a esta questão que no Portugal Agora queremos elevar o país em três eixos estratégicos. Um Portugal que através do Conhecimento possa “fabricar” capital humano com elevadas competências. Um Portugal Atrativo que tenha capacidade de atrair investimento e de saber exatamente quais são os serviços e produtos a evidenciar. E um Portugal Empreendedor que consiga a todo o momento questionar a “causa das coisas” e errar vezes sem conta até conseguir criar o que ninguém criou.