Jorge Faria de Sousa, Consultor da Tecnibite

O país está melhor, os portugueses estão pior!

Apesar dos dados marcoeconómicos serem positivos, os portugueses, sobretudo os mais desfavorecidos, estão pior. Em 2023, os aumentos dos rendimentos ficaram abaixo da taxa de inflação registada em 2022, o que leva a uma considerável perda de poder de compra dos portugueses.

Em 2022, Portugal fechou o ano com um crescimento económico de 6.7%, segundo as estimativas do Instituto Nacional de Estatística, com a dívida pública a descer no passado ano e o défice a ficar signiticativamente abaixo do previsto, com uma receita fiscal que foi superior em 11% relativamente ao ano 2021. Destaque ao contributo do aumento das exportações para o crescimento económico.

Independentemente dos indicadores económicos serem positivos, ficam ainda aquém de 2019, período pré-pandemia, e representam a maior convergência no plano europeu com os países da Europa de leste face a Portugal.

Apesar dos dados marcoeconómicos serem positivos, os portugueses, sobretudo os mais desfavorecidos, estão pior. Em 2023, os aumentos dos rendimentos ficaram abaixo da taxa de inflação registada em 2022, o que leva a uma considerável perda de poder de compra dos portugueses.

No âmbito do combate à inflação, as medidas que têm vindo a ser tomadas pelo Governo são claramente insuficientes. A inflação atinge todos os portugueses, mas afeta sobretudo os mais desfavorecidos. Em 2022, o governo tomou medidas avulso, com apoios pontuais e insuficientes, cuja despesa ficou abaixo, por exemplo, do acréscimo de receita fical.

Os portugueses, com a crise inflacionista, enfrentam aumentos das taxas de juro expressivos e, por isso, um aumento nos encargos com a habitação. Segundo o Banco Central Europeu, as taxas de juro podem continuar a subir, após o aumento em março. No entanto, os produtos alimentares, segundo dados do Eurostat, em Portugal, registaram um aumento de preços a rondar os 16.2% — a quinta maior inflação da Zona Euro. Sendo que o aumento dos preços dos bens essenciais afetam sobretudo as famílias mais desfavorecidas.

Por isso, cabe ao governo tomar medidas para as dificuldades que os portugueses enfrentam. Medidas como a redução ou eliminação do IVA para o cabaz alimentar são fundamentais. Aliás, António Costa pode ter como exemplo o socialista primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz, que colocou em prática um pacote de medidas de combate à inflação. O governo espanol optou, entre outras medidas, pela eliminação da taxa de IVA sobre os produtos alimentares.

É importante, obviamente, manter o rigor orçamental, as “contas certas”. Mas, com a perda do poder de compra, os portugueses enfrentam em 2023 maiores dificuldades. No entanto, os mais carenciados são os mais afetados e cabe ao governo tomar medidas concretas de combate à inflação. Ninguém pode ficar para trás.

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