O que é a indústria 4.0? O caminho que muitas empresas portuguesas decidiram seguir nos últimos anos, sobretudo nos últimos dois. Muito se fez para promover a digitalização do tecido empresarial português. Muito e bem. Traçou-se um caminho concertado, coerente e real, onde as várias entidades envolvidas, privadas e públicas, começaram a andar lado a lado e com um objetivo comum. Com isso chegámos hoje a um bom caminho, que ainda vai no início, é certo, mas que pode levar-nos a bom porto.
Mas voltemos à pergunta inicial, o que é afinal a indústria 4.0?
É a quarta revolução industrial. É a fusão de métodos de produção com os mais recentes desenvolvimentos na tecnologia de informação e comunicação. É a cooperação direta entre pessoas, máquinas, equipamentos, sistemas logísticos e produtos.
É muito mais do que salas cheias de computadores e gadgets, e desengane-se quem pensa que é uma coisa de empresas de TI. Existe I4.0 no Grupo Lusiaves. Sim, é possível ver indústria 4.0 na empresa líder do setor avícola em Portugal, que desenvolveu, juntamente com uma universidade, um equipamento que permite fazer a pesagem do milho diretamente no meio que o transporta através de um pequeno dispositivo, ou na sala de controlo remoto da empresa que mais parece uma imagem de filme futurista, mas que controla tudo o que ali se faz ao pormenor. Existe I4.0 quando fazemos uma compra online no Continente, que tem bastidores que nenhum consumidor imagina. Existe I4.0 na aplicação que a EMEL criou para facilitar a vida de quem quer estacionar na cidade. Existe I4.0 em muitas empresas que não imaginamos e cujo core não está na tecnologia.
A Web Summit veio obviamente colocar ainda mais este tema na agenda e trazer à luz um mundo nacional e internacional que era para muitos ainda desconhecido. E este ano não será diferente. É importante debater estes temas, mostrar o que se faz e o que se pretende fazer, sem medo. E sem medo também de falhar, porque o erro faz parte do sucesso, e aqui não é exceção.
Nos últimos anos desenvolveu-se uma cultura neste âmbito, que não existia até aqui e que trouxe vontade de fazer mais e melhor, apoiada, como deve ser, pelas entidades que têm capacidade de abrir portas ao tecido empresarial português. Estão criadas as oportunidades para empreender neste caminho que não tem volta, mas que traz muito mais benefícios que prejuízos. Basta seguir o bom caminho já traçado.