O acidente no Elevador da Glória correu o planeta inteiro, abriu noticiários até no Japão, mas o turismo em Lisboa manteve o rumo ascendente. A prova do algodão aconteceu por estes dias com a realização da conferência de gaming que trouxe a Lisboa mais de 30 mil pessoas.
Os preços dos hotéis dispararam, muitos esgotaram e a cidade manteve o ritmo muito acelerado dos últimos anos sem que ninguém se desse conta de mais esta multidão recém-aterrada.
As vantagens estão à vista – mais construção, mais economia, mais mundo. As desvantagens (mais lixo, mais trânsito, mais desgaste das infra-estruturas públicas) também se escrevem sozinhas. A questão, portanto, é simples: os problemas têm de ser resolvidos com planificação e método, não com radicalismos estúpidos ou cruéis contra turistas e imigrantes.
O que nos leva ao Orçamento do Estado para 2026: talvez seja a parte menos sexy para qualquer político já que não garante grandiosos anúncios mediáticos, mas as despesas de manutenção das infra–estruturas públicas – estradas, iluminação, elétricos e autocarros, jardins, pontes e outras ligações – têm mesmo de ser muito reforçadas para compensar o elevado desgaste a que estão sujeitas.
Apurar o que aconteceu no Elevador da Glória é um passo; o outro, mais exigente, é percebermos que o país mudou e pede mais investimento em manutenção e mais fiscalização, duas lastimáveis fraquezas nacionais. É isso que espero encontrar no OE-2026, tendo eu a certeza que o ministro Miguel Pinto Luz está a levar para a frente TGV e aeroporto; e que o Governo decidiu interromper duas décadas de abandono na habitação.
A única forma de combater o populismo é esta: evitar problemas e resolver os que há, um a um, obstinadamente. Já agora, canalizar as taxas turísticas para o financiamento de parte deste trabalho. Em vez de uma placa com o nome do ministro corta-fitas, uma outra: por exemplo, elevador pago e mantido com a taxa turística. Talvez calasse os mais estouvados.