Redação

Números e reflexão (II)

Números e reflexão (II)
1. Continuamos hoje uma reflexão, a partir dos Censos de 2011, de um conjunto de vetores que são importantes para a ação política. E num ano em que a estratégia será determinante. Mesmo que alguns só estejam preocupados com assuntos que a espuma dos dias põe na agenda mediática.
2. O setor terciário tinha, nas cidades portuguesas, uma importância, em termos de população empregada (79%), ainda maior do que no conjunto do país, onde ocupava mais de dois terços da população empregada (/0%).
As cidades do país em que o setor terciário tinha mais expressão em termos de emprego eram: Lisboa (89%), Odivelas (86%) e Almada (85%) na região de Lisboa; Faro (88%) e Albufeira (86%) no Algarve; Caniço e Funchal (ambas com 87%) na Região Autónoma da Madeira; Coimbra (87%) na Região Centro; Beja (86%) no Alentejo; Miranda do Douro (86%), Porto e Vila Real (ambas com 85%) na região Norte; e a cidade da Horta (85%) na Região Autónoma dos Açores.
3. A maioria da população residente nas cidades trabalhava ou estudava no município de residência e cerca de 28% deslocava-se para outro município, proporção ligeiramente inferior à verificada no conjunto do país (29%). Nas cidades da região de Lisboa e da Região do Norte, os movimentos pendulares assumiam maior importância: respetivamente 35% e 29% dos empregados e estudantes aí residentes exerciam a sua atividade num município distinto do da sua morada.
Em algumas cidades do país, nomeadamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, mais de metade da população residente ou estudante deslocava-se para outro município para exercer a sua atividade: Caniço (62,0%), Odivelas (58,2%), Rio Tinto (58,1%), Póvoa de Santa Iria (57,7%), Ermesinde (55,7%), Amadora (54,8%), Queluz (54,0%), Sacavém (53,2%) São Mamede de Infesta (50,9%) e Loures (50,1%).
4. Cerca de 20% da população empregada ou estudante residente nas cidades portuguesas deslocava-se a pé para o local de trabalho ou estudo (16% no total do país), sendo o automóvel o meio de transporte mais utilizado. O transporte coletivo assumia nas deslocações pendulares da população residente nas cidades uma importância semelhante à do conjunto do país (cerca de 20%), verificando-se um maior uso destes tipos de transporte nas cidades da região de Lisboa e da Região Autónoma da Madeira. Situavam-se na Área Metropolitana de Lisboa todas as cidades em que mais de 30% dos empregados ou estudantes se deslocavam em transportes coletivos: Barreiro (39%) – única cidade do país em que este modo de transporte era mais utilizado do que o automóvel, Almada (38%), Amora (36%), Queluz (36%), Odivelas (36%), Amadora (35%), Agualva-Cacém (35%), Seixal (34%), Lisboa (33%), Sacavém (32%), Costa da Caparica (30%) e Loures (30%).
5. Os trabalhadores ou estudantes residentes nas cidades portuguesas demoravam, em média, 20 minutos a chegar ao local de trabalho ou estudo. Neste contexto, salienta-se o tempo despendido nos movimentos casa-trabalho e casa-escola pelos residentes na cidade do Barreiro (33 minutos) e nas cidades da Costa da Caparica, Amora e Agualva-Cacém (cerca de 30 minutos).
Números para reflexão. Necessária e sempre oportuna.

Fernando Seara
Advogado

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