Novo financiamento da DeepSeek desperta interesse do fundo estatal chinês ‘Big Fund’

O maior veículo de investimento em semicondutores com apoio estatal da China está em negociações para liderar o financiamento da primeira ronda de investimentos da DeepSeek, que pode levar a avaliação do grupo para os 45 mil milhões de dólares.

Novo financiamento da DeepSeek desperta interesse do fundo estatal chinês ‘Big Fund’
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O Fundo de Investimento da Indústria de Circuitos Integrados da China, geralmente chamado ‘Big Fund’, está a procurar liderar o investimento na DeepSeek. Outros investidores que ainda estão em negociações para adquirir uma participação na empresa incluem a gigante chinesa de tecnologia Tencent, embora a lista final ainda não tenha sido definida, refere o ‘Financial Times’.

A DeepSeek ganhou destaque em janeiro de 2025 após o lançamento do R1, um poderoso modelo de linguagem de código aberto, que, segundo a empresa, foi instruído com uma fração do poder computacional dos modelos desenvolvidos por concorrentes norte-americanos, como a OpenAI.

A avaliação da DeepSeek aumentou significativamente, passando os 20 mil milhões de dólares quando iniciou as negociações para captação de recursos há apenas algumas semanas, à medida que os investidores se esforçam para apostar no potencial do grupo, “apesar da falta de foco na comercialização”, segundo o jornal. Neste momento, ou mais propriamente no final da operação de levantamento, e segundo aquela fonte, a avaliação da empresa pode estar próxima dos 45 mil milhões de dólares.

Liang Wenfeng , o bilionário fundador da startup sediada em Hangzhou, também poderá investir pessoalmente nesta ronda. Wengfeng controla 89,5% da DeepSeek por via de participações pessoais e grupos afiliados.

O apoio do fundo governamental chinês estratégico para a área dos semicondutores reforçaria a posição da DeepSeek como líder no desenvolvimento de modelos de IA de ponta, além de promover um ecossistema chinês composto por modelos, softwares e chips nacionais.

A China lançou três fases do estatal ‘Big Fund’, um fundo que é uma parte essencial de uma das opções estratégicas do governo de Xi Jinping: a autossuficiência em sistemas avançados com base em semicondutores – um produto que neste momento tem o que de melhor se produz no mundo sediado em Taiwan. Ou, dito de outra forma: a China pretende encontrar alternativas a produtores que estão identificados como muito porosos àquilo que são as decisões dos Estados Unidos. A administração Trump tem-se preocupado em restringir o acesso da China a tecnologias avançadas para a produção de semicondutores.

O fundo angariou 47 mil milhões de dólares do Ministério das Finanças chinês, governos locais e bancos estatais na sua terceira ronda de financiamento em 2024, com o objetivo de investir em equipamentos e materiais semicondutores. O ‘Big Fund’ financiou empresas importantes na indústria de semicondutores da China, incluindo a Semiconductor Manufacturing International Corporation (SMIC), a maior e mais avançada do país, bem como a Yangtze Memory Technologies, principal fabricante de chips de memória da China.

A quantidade total de chips de IA que a China produz representa apenas uma fração da produção dos EUA, e esses processadores estão pelo menos duas gerações atrasados. Para alcançar o nível dos Estados Unidos, Pequim conta com a colaboração das empresas chinesas de tecnologia — de fabricantes de chips a construtoras de modelos. O objetivo é desenvolver um ecossistema capaz de sustentar a competitividade da China em IA, apesar do endurecimento dos controlos de exportação dos Estados Unidos.

De acordo com Jensen Huang, CEO da Nvidia, citado pelo ‘Financial Times’, um ecossistema desse tipo poderia representar um perigo para o domínio norte-americano. “O dia em que o DeepSeek for lançado para a Huawei será um resultado terrível para os Estados Unidos”, disse.

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