Há diferenças significativas entre alojamento local e arrendamento urbano. Diferenças que justificaram a recusa de uma convergência fiscal com que muitos sonhariam, desde que essa convergência se fizesse aproximando-se mais do valor mais elevado, ou seja, da taxa liberatória aplicada ao arrendamento urbano.
O alojamento local (AL) é claramente uma prestação de serviços, aparentado ao da hotelaria, que inclui, pelo menos, roupa lavada e limpezas regulares, quando não também o fornecimento de pequeno-almoço. Não é um arrendamento urbano mais favorável aos proprietários de imóveis, como há quem diga. Tampouco é rigoroso dizer que o aumento do alojamento local põe em risco o mercado de arrendamento urbano nas localizações onde exista o fenómeno AL mais acentuado. Sendo também, nesta tese exagerada, supostamente responsável pela gentrificação das grandes cidades, onde florescerá a par do turismo.
Os riscos de gentrificação, aqui entendido como o fenómeno de substituição das populações locais por turistas de curta duração, chegam a ser apresentados como susceptíveis de provocar a extinção de uma suposta atração turística a preservar – uma base social pobre, muito pobre, típica das cidades turísticas. Entre aqueles que diabolizam um urbanismo que exclui os pobres e os que defendem que os problemas urbanos são muito mais complexos de solucionar do que uma mera proposta de complacência face a certas populações, sem alternativas reais que dinamizem a economia, eu inclino-me para a emergência desta nova ordem urbana.
As cidades onde existe turismo residencial não serão nunca cenários de filmes antigos a povoar, por períodos curtos, por grupos de turistas que se sucedem uns aos outros. Ninguém visita o Rio de Janeiro para poder fazer uma visita guiada à favela do Morro do Alemão, mesmo que haja visitas guiadas a favelas.
O que é próprio de uma cidade que se pretende oferecer à fruição dos visitantes, sejam eles nacionais e locais ou estrangeiros, é uma qualidade de vida que tenha aquilo que é inerente ao conceito de qualidade de vida, desafio que pode, como parece ser o nosso caso, passar por um turismo equilibrado, reconheça-se, mas gerador de receitas necessárias à mudança. Estas é que são as diferenças que devem ser tidas em conta, até, e principalmente, na hora de aproveitar esta onda para carregar na tecla das receitas fiscais.