Moody’s defende que Portugal, Chipre e Grécia estão na rota da subida de “rating”

A Moody's deixa um alerta ao envelhecimento das populações, com Portugal e Grécia a serem os mais preocupantes e mais vulneráveis à subidas da despesa associadas à terceira idade e ao impacto da redução da população ativa no crescimento económico.

Moody’s defende que Portugal, Chipre e Grécia estão na rota da subida de “rating”
moody’s

A Moody’s publicou esta sexta-feira os seus comentários sobre a Grécia, Chipre e Portugal. O relatório considera que o investimento público e privado significativo, juntamente com novas reformas estruturais no contexto do NextGeneration EU (PRR), irá cimentar os fortes progressos realizados pelos três países em termos de reformas económicas e de consolidação orçamental ao longo da última década.

https://jornaleconomico.pt/noticias/moodys-melhora-outlook-da-brisa/

A Moody’s comenta igualmente o impacto das tendências demográficas e a exposição ao risco climático.

“As perspectivas positivas para Portugal (Baa2 positivo), Chipre (Ba1 positivo) e Grécia (Ba3 positivo) reflectem pressões de crédito sustentadas e significativas no sentido da subida. Um investimento público e privado significativo, juntamente com novas reformas estruturais no contexto do NextGeneration EU (NGEU), cimentará os fortes progressos realizados pelos três países em termos de reformas económicas e de consolidação orçamental ao longo da última década. Estes progressos reflectem igualmente o reforço das instituições e da governação e contribuem para limitar a suscetibilidade ao risco de eventos no sector bancário”, lê-se no relatório.

O Plano de Recuperação e Resiliência (NGEU), “liberta o investimento que, juntamente com a implementação das reformas, aumenta o potencial de crescimento”.

As dotações ao abrigo do Mecanismo de Recuperação e Resiliência (MRR) são substanciais, entre 5% do PIB para Chipre e 17% para a Grécia, diz a agência de rating.

A manutenção da dinâmica do investimento, incluindo a atração do investimento direto estrangeiro (IDE), e das reformas associadas aos fundos do PRR será fundamental para sustentar as melhorias significativas do potencial de crescimento alcançadas nos últimos anos, conclui a Moody’s.

Um crescimento mais forte e sustentado e a disciplina orçamental conduzirão a uma redução constante da dívida, acredita a Moody’s.

“Os encargos com a dívida estão no bom caminho para diminuir mais rapidamente do que o inicialmente esperado ao longo dos próximos cinco anos, apoiando pressões significativas no sentido da subida do rating de crédito”, refere a agência que acrescenta que “embora os encargos da dívida permaneçam elevados em relação aos padrões internacionais, a acessibilidade da dívida manter-se-á forte graças a grandes bases de receitas e a melhores estruturas de dívida que ajudam a abrandar a transmissão das taxas de juro”.

A Moody’s espera, para Portugal, que o peso da dívida pública alcance os 103% em 2024, em linha com o Plano de Estabilidade.

A agência de rating destaca o fim gradual dos apoios de emergência e a subida das receitas do Estado, devido ao maior crescimento económico e à melhoria na eficiência fiscal. A Moody’s acredita que estes factores irão garantir excedentes primários acima do habitual e da mediana dos países congéneres. Para Portugal, a agência prevê que os saldos das contas públicas sem impacto de juros representem em média, anualmente, 2,4% do PIB de 2023 a 2026.

A Moody’s defende ainda que a melhoria das perspectivas económicas favorece a redução do risco do sector bancário e, por sua vez, a solidez dos bancos promove um crescimento económico robusto.

A menor alavancagem do sistema bancário e a melhoria da qualidade dos activos da banca sustentam a dinâmica positiva das notações soberanas.

Os bancos estão bem capitalizados, enquanto a rentabilidade beneficia das taxas de juro mais elevadas e da melhoria das perspectivas económicas. Por sua vez, bancos mais fortes apoiam um crescimento robusto.

Pelo contrário, o envelhecimento da população limita a dinâmica ascendente do rating soberano. A redução da população em geral e da população em idade ativa limitará o crescimento do PIB, em especial, em Portugal e na Grécia.

Os custos orçamentais decorrentes do envelhecimento da população aumentarão em termos absolutos, mas diminuirão em percentagem do PIB, devido às anteriores reformas dos sistemas de pensões e de segurança social, defende a Moody’s.

Já no que toca à exposição a riscos climáticos físicos, a Moody’s colocará obstáculos adicionais nas próximas décadas. É provável que se registe um aumento da frequência e da gravidade das ondas de calor. O turismo sofrerá perturbações, na melhor das hipóteses, considera a agência.

As medidas de adaptação para reforçar a resistência ao calor extremo, às secas e aos incêndios florestais exigirão investimentos significativos.

Perante os vastos efeitos económicos, financeiros e sociais negativos das alterações climáticas, as implicações em termos de rating de crédito serão determinadas pela eficácia das medidas de adaptação, alerta a Moody’s.

 

Relacionado