Montepio desiste da venda da Lusitânia

É um volte-face nas intenções de venda das seguradoras, anteriormente assumidas pelo Presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Virgílio Lima.

Montepio desiste da venda da Lusitânia
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A venda da Lusitânia Vida e da Lusitânia Seguros não vai avançar, apurou o Jornal Económico.

Contactada, fonte oficial afirmou que “o Montepio Associação Mutualista não tem comentários a prestar”.

Depois de, em março deste ano, e segundo avançou a Bloomberg na altura, a Associação Mutualista Montepio Geral ter contratado a Société Générale para encontrar opções no mercado para a venda parcial ou total das seguradoras Lusitânia [o que a Mutualista Montepio esta sexta-feira desmentiu] e de terem chegado a receber propostas, nomeadamente da CNP Assurances, com quem chegaram a ter negociações avançadas [o que a Mutualista esta sexta-feira desmentiu],  eis que o negócio falhou.

Sublinhe-se que, depois da notícia publicada esta sexta-feira pelo Jornal Económico, a Mutualista Montepio esclareceu que “não contratou a Société Générale” e confessou que a CNP nunca chegou a avançar com qualquer proposta de compra da Lusitânia

No entanto a notícia do interesse da CNP nas seguradoras Lusitânia foi avançada em abril pelo Mergermarket e confirmada na altura pelo Jornal Económico. Em abril, quando as negociações com a CNP foram noticiadas a fonte oficial respondeu sobre isto que “o Montepio Associação Mutualista não tem comentários a fazer”.

Segundo as nossas fontes, o principal obstáculo à concretização da venda da Lusitânia prende-se com a oposição a um eventual acordo de bancassurance (venda de seguros aos balcões do banco).

O processo de venda resultou, afinal, apenas numa mera auscultação ao mercado para aferir do valor das duas companhias.

Em janeiro, durante a tomada de posse dos órgãos associativos para o período de 2026 a 2029 da Associação Mutualista Montepio Geral, o presidente Virgílio Lima admitiu a possibilidade de “parcerias de desenvolvimento” envolvendo as seguradoras.

“Sempre o dissemos: temos um conjunto de prioridades que vêm do período da crise anterior, que afetou todas as entidades e que estão em recuperação. Uma vez recuperadas, poderemos fazer parcerias de desenvolvimento, mantendo naturalmente uma posição relevante e importante nas companhias”, afirmou.

Virgílio Lima admitiu mesmo vender a maioria do capital da Lusitânia: “esse é um quadro de evolução provável”, pois “não precisamos de ter 100% para manter a atividade seguradora e, portanto, é natural que possamos fazer alguma parceria de desenvolvimento no momento adequado”.

Em causa estão as seguradoras Lusitânia Vida e Lusitânia Seguros, que, em 2025, registaram conjuntamente uma quebra de 2,8% nos prémios, para 412 milhões de euros, descendo para o 11.º lugar no ranking dos grupos seguradores em Portugal.

Lusitânia pede à ASF para vender seguros fora de Portugal

Um sinal de que a estratégia mudou é o facto de a Lusitânia Vida, Companhia de Seguros, ter notificado as autoridades de supervisão dos Estados-membros de acolhimento — Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Roménia e Suécia — bem como a EIOPA, da sua intenção de exercer atividade em livre prestação de serviços naqueles Estados-membros, a partir da sua sede em Portugal.

A notificação publicada pela ASF apanhou o mercado de surpresa, já que, aparentemente, uma notificação para poderem vender produtos naqueles países a partir de Portugal, sem estarem estabelecidos lá, deveria significar que têm clientes nesses países ou contam vir a ter.

Em declarações ao Jornal Económico, a Associação Mutualista explicou à posteriori o motivo desta notificação, dizendo que “temos em Portugal clientes de muitos países e trabalhamos com todos eles”.

(atualizada com as declarações da Associação Mutualista Montepio Geral, pós publicação, de que não contrataram a Société Générale e que a CNP não apresentou propostas de compra da Lusitânia)

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