O movimento Europa Agora (PES) venceu as eleições legislativas antecipadas deste domingo no Montenegro. O partido, assumidamente europeísta, formado apenas em 2022 e liderado por Milojko Spajic, ficou aquém de uma maioria absoluta, com 26% dos votos. Fica por isso dependente das conversações com outras forças políticas para formar governo.
O Partido Democrático dos Socialistas (DPS), também favorável a uma adesão à União Europeia, assegurou o segundo lugar, com um pouco mais de 23% dos votos. Resta saber se as duas formações estarão disponíveis para estabelecerem negociações com vista à formação de um governo de coligação. Nada acontecerá, de qualquer modo, pelo menos publicamente, enquanto os resultados oficiais não forem conhecidos – deverão ser anunciados pela comissão eleitoral nos próximos dias.
De concreto, sabe-se também que a ida às urnas ficou muitos pontos abaixo do que é costume no país: apenas votaram cerca de 56,7% dos pouco mais de 542 mil eleitores registados, segundo as agências internacionais.
O país vive há meses em crise plena política, depois de os dois anteriores executivos não terem resistido, no ano passado, a moções de censura parlamentares, o primeiro em fevereiro e o segundo em agosto.
O último ano foi ainda marcado por uma mudança na liderança do país, após Milos Djukanovic, o antigo líder do DPS, ter perdido as eleições presidenciais em abril, pondo termo a três décadas no poder.
A saída de Djukanovc marcou uma viragem no país, depois de o mais influente político de Montenegro desde a independência ter sofrido uma derrota clara contra o ex-ministro da Economia Jakov Milatovic, que, com cerca de 60% dos votos, declarou vitória na segunda volta das presidenciais de abril passado.
O novo presidente, também eleito pelo movimento Europa Agora, prometeu liderar a pequena nação balcânica para a União Europeia ao longo dos próximos cinco anos. Entre as propostas consta também o combate à corrupção, a melhoria dos padrões de vida e o fortalecimento dos laços com a União Europeia, mas também com a Sérvia.
Logo na altura, a vitória de Milatovic – que não era o candidato que o partido esperava apresentar inicialmente – abria boas perspetivas para as eleições parlamentares. Na altura, a dúvida era se as parlamentares permitiriam o regresso de Miloiko Spajic, o ‘verdadeiro’ líder do Europa Agora, que perdeu a corrida presidencial na secretaria: o órgão eleitoral central de Montenegro (DIK) decidiu não aprovar Spajic como candidato presidencial por ter dupla cidadania (montenegrina e sérvia).
As dúvidas estão desfeitas, mas surge agora outra: a da capacidade de os europeístas conseguirem entender-se em coligação.