Ministro da Economia diz que “excesso de prudência” dos bancos “atrasa o crescimento económico”

Castro Almeida alerta que as empresas estão a queixar-se de uma "excessiva retração" dos bancos. Depósitos das empresas nos bancos é superior ao valor dos empréstimos dos bancos às empresas pela primeira vez nos últimos 45 anos.

Ministro da Economia diz que “excesso de prudência” dos bancos “atrasa o crescimento económico”
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O ministro da Economia disse hoje que há uma “situação anómala” no crédito concedido pelos bancos às empresas, alertando que as empresas “queixam-se de uma excessiva retração” da banca e que o “excesso de prudência atrasa o crescimento económico”.

O ministro aponta que os bancos não estão a conceder empréstimos às empresas, mesmo quando o Estado garante 80% dos empréstimos, sendo que a garantia pública serve para alavancar empresas .

“Há uma marca negativa na boa performance global do sistema financeiro: é que o valor dos depósitos das empresas nos bancos é superior ao valor dos empréstimos dos bancos às empresas”, começou por dizer hoje o ministro da Economia no seu discurso no Fórum Banca 2026 organizado pelo Jornal Económico.

“É a primeira vez que tal acontece, nos últimos 45 anos e é uma situação anómala que obriga a ponderação. As empresas queixam-se de uma excessiva retração do sistema financeiro nas suas análises de crédito, mesmo quando o Estado está disponível para garantir 80% dos valores
dos empréstimos, através do Banco Português de Fomento”, segundo Manuel Castro Almeida.

“A garantia de Estado tem de gerar um efeito de alavancagem da atividade das empresas, e não, servir como um amortecedor do risco dos bancos. E muito menos poderia servir para transferir créditos sem garantia de Estado para uma linha garantida pelo Estado, sem qualquer incremento no volume de crédito. Da mesma forma que é saudável a preocupação de continuar a reduzir a percentagem de NPL’s, também é certo que o excesso de prudência atrasa o crescimento económico”, afirmou o ministro esta terça-feira no evento que teve lugar em Lisboa.

As críticas do ministro da Economia mereceram resposta mais tarde por parte dos principais banqueiros nacionais, que rejeitaram a sua indisponibilidade para conceder crédito, considerando que existe um “problema” no “lado da procura”.

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