McKinsey vê potencial para investimento de 200 mil milhões na transição energética em Portugal e Espanha até 2030

Especialistas da consultora internacional consideram que é possível duplicar os investimentos previstos nas energias renováveis e na reindustrialização "verde" até 2030, na Península Ibérica, devido às vantagens competitivas que Portugal e Espanha têm nestas áreas. "Os nossos países têm uma oportunidade única para liderar a nova revolução industrial", disse José Pimenta da Gama, 'managing partner' da McKinsey Ibéria.

McKinsey vê potencial para investimento de 200 mil milhões na transição energética em Portugal e Espanha até 2030
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Portugal e Espanha têm uma oportunidade única para liderarem a revolução industrial associada à transição energética e superarem o gap histórico face aos países do norte da Europa, defendem os especialistas da McKinsey. A consultora acredita que o investimento em energias renováveis e nas indústrias verdes, na Península Ibérica, poderá atingir os 200 mil milhões de euros até 2030, devido às vantagens competitivas que Portugal e Espanha têm face a outros países.

Em declarações aos jornalistas, esta quarta-feira, num encontro promovido pela consultora em Frankfurt, o líder da McKinsey Ibéria, José Pimenta da Gama, defendeu que os países ibéricos têm os recursos naturais necessários para acelerar a transição energética, bem como o capital humano (com cerca de dois milhões de engenheiros e cientistas) e as infraestruturas portuárias e logísticas necessárias para liderar este processo a nível europeu.

“Pela primeira vez em muitos anos, Portugal e Espanha têm vantagens competitivas que lhe permitem liderar esta nova revolução industrial”, disse José Pimenta da Gama, acrescentando que para atingir estes objetivos será necessário “fazer a maior alocação de capital dos últimos 100 anos”.

Os 200 mil milhões estimados pela consultora correspondem ao dobro dos investimentos que foram anunciados para estas áreas em Portugal e Espanha, até 2030. Atualmente, estão previstos investimentos de 90 mil milhões nas renováveis e outros 10 mil milhões na reindustrialização “verde”. Questionado sobre de onde virão os outros 100 mil milhões, caso o cenário traçado pela consultora se concretize, José Pimenta da Gama respondeu que acredita que os grandes fundos de private equity e capital de risco internacionais estão interessados em fazer esses investimentos adicionais.

“O novo petróleo é energia verde barata e nós temos isso, 20% abaixo dos custos da Europa”, defendeu o líder da consultora na península, lembrando que além de terem 300 dias de sol por ano, Portugal e Espanha têm um número significativo de portos de águas profundas, bem como 25% da capacidade europeia de importação de gás liquefeito e 20% do tráfego de porta-contentores .

“E como temos energia mais barata, temos a oportunidade de avançar com a reindustrialização verde”, acrescentou Pimenta da Gama, dando como exemplo áreas como a produção de “aço verde”.

“Isto é algo que poderá permitir pôr os nossos dois países a crescer e a desenvolverem-se forma sustentada, resolvendo os nossos problemas que vêm de há muitas décadas”, disse Pimenta da Gama, realçando que para tornar este cenário realidade será necessária a colaboração entre governos, empresas e universidades. “Todos os stakeholders têm de estar envolvidos”, defendeu.

Cenário da McKinsey prevê mais 1.500 projetos de renováveis na Península Ibérica até 2030

Por sua vez, Maria João Ribeirinho, partner da McKinsey, defendeu que, na área das renováveis, Portugal e Espanha têm potencial para a construção de mais 1.500 projetos de renováveis e de biogás até 2030, bem como de entre 15 a 20 grandes hubs de hidrogénio nas imediações das grandes áreas industriais, sobretudo naquelas onde existem refinarias. “Ao todo, poderemos ter mais 15 a 20 milhões de lares com energia verde”, disse Maria João Ribeirinho.

Por sua vez, na área da reindustrialização, Maria João Ribeirinho acredita que poderão ser construídas mais 10 a 15 grandes unidades industriais em Portugal e Espanha.

A nível económico, a partner da McKinsey prevê um impacto positivo no Produto Interno Bruto (PIB) de Portugal e Espanha na ordem dos 10% a 20% em termos de valor acrescentado, bem como a criação de um milhão de empregos qualificados.

Os factores de sucesso necessários para tornar estes projetos realidade serão cinco: os níveis sem precedentes de capital disponíveis para investir nestes projetos;  a excelência no “delivery” dos projetos; o talento, sendo necessário reter as pessoas mais qualificadas e atrair pessoas de outros países; uma framework de investimento a longo prazo, que garanta estabilidade e previsibilidade; a colaboração entre os diferentes stakeholders públicos e privados; e, por fim, o desenvolvimento das infraestruturas necessárias.

“Os melhores condutores vencem quando as condições são mais difíceis”, disse Maria João Ribeirinho, citando o piloto brasileiro Ayrton Senna. “Existem muitos desafios a superar. É preciso capital, é preciso talento, é preciso mão de obra para construir as infraestruturas, etc, mas é possível encontrar soluções”, defendeu.

 

(*) – O jornalista viajou a convite da McKinsey

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