McKinsey diz que empresas estão a duplicar esforços para criar novos fluxos de receita

Cerca de 20% das receitas das empresas vêm de novos negócios criados nos últimos cinco anos mais 8% do que no ano passado (12%). Os lucros provenientes da criação de novas empresas também estão a aumentar.

McKinsey diz que empresas estão a duplicar esforços para criar novos fluxos de receita
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Os dados são do Inquérito anual “CEOs’ choice for growth: Building new businesses” da McKinsey & Company, e revelam que seis em cada dez CEOs consideram a criação de novos negócios uma das prioridades para o próximo ano. Ou seja, 58% dos presidentes executivos das empresas diz que a criação de novos negócios é uma das três prioridades estratégicas para o próximo ano, sendo que para 27% é a principal prioridade.

O novo relatório publicado pela McKinsey & Company, CEOs’ Choice for Growth: Building New Businesses tem por base um inquérito global a executivos de empresas de todos os setores de atividade a nível mundial.

O estudo concluiu que, apesar da atual incerteza económica, as organizações estão a duplicar os seus esforços para criar novos fluxos de receitas. Em 2023, as empresas passaram da criação de um ou dois novos negócios num período de cinco anos para a criação de três a cinco novos negócios.

Cerca de 20% das receitas das empresas vêm de novos negócios criados nos últimos cinco anos mais 8% do que no ano passado (12%). Os lucros provenientes da criação de novas empresas também estão a aumentar.

De acordo com Santiago Fernández, sócio líder da Leap by McKinsey em Espanha, “isto ajuda a explicar porque motivo a criação de empresas está a ganhar importância, ano após ano, como uma prioridade empresarial. Mais importante ainda, verificamos que os gestores compreendem a necessidade de desenvolver as capacidades necessárias para lançar vários negócios”.

“Esta abordagem ajuda a diversificar o risco e a aumentar a probabilidade de sucesso e crescimento. Quanto maior for o número de novos negócios criados, maior será a probabilidade de sucesso e de crescimento das receitas”, refere Santiago Fernández no comunicado.

Os CEOs reconhecem que “o atual momento proporciona uma vantagem competitiva às empresas já estabelecidas em relação às startups, devido ao decréscimo da confiança dos investidores e às dificuldades em obter capital para estas empresas”, segundo a Mckinsey.

Além disso, acrescenta a consultora, as empresas estabelecidas no mercado que decidem criar negócios para além da sua atividade principal estão a entrar em territórios anteriormente inexplorados, como o desenvolvimento de plataformas de Inteligência Artificial, a criação de modelos “everything-as-a-service” ou a implementação de novos serviços digitais em mercados online, ecossistemas e retalho.

Os negócios de Everything as a Service (XaaS) relacionados com a análise de dados e com a Inteligência Artificial são os investimentos corporativos favoritos para os próximos cinco ano, como os modelos de subscrição ou de serviços remotos (35%), bem como os novos negócios baseados na análise de dados e na inteligência artificial (36%).

Empresas consolidadas levam vantagem sobre startups

De acordo com o estudo da McKinsey, “o vento está a soprar a favor das empresas consolidadas, em oposição ao declínio do capital para as startups”.

Seis em cada dez (58%) CEO de empresas consolidadas atribuem maior prioridade à criação de novos produtos, serviços ou atividades do que nos últimos dois anos. Esta percentagem aumenta para sete em cada dez (74%) líderes de quadros superiores com a criação de novas receitas a partir da fundação de novas empresas, que a consideram uma prioridade mais elevada do que em 2022.

Além disso, avança a Mckinsey 56% de todos os líderes empresariais veem os seus balanços como uma vantagem relativa em relação às empresas que se encontram em fase de arranque.

De acordo com os dados do relatório, um em cada dois CEOs considera a criação de negócios (criação de novos produtos, serviços ou negócios a partir de dentro) como uma das suas três principais prioridades, a percentagem mais elevada desde a pandemia. Cerca de 28% dos CEOs europeus consideram que esta é a sua principal prioridade estratégica, em comparação com 23% dos diretores executivos asiáticos e 22% dos presidentes executivos norte-americanos.

Se olharmos para os CFOs (administradores financeiros), 55% consideram a criação de negócios uma medida estratégica para o próximo ano, de acordo com um inquérito paralelo da McKinsey.

“O que observámos a partir dos resultados do inquérito e das conversas com os líderes empresariais é que estes estão mais concentrados na combinação de ações e reações a curto prazo em resposta imediata à turbulência económica do que com estratégias de médio e longo prazo”, afirma o sócio da McKinsey.

Entre as organizações com maior histórico de criação de novas empresas, o relatório identifica um grupo de “empreendedores estabelecidos” com mais sucesso na geração de novos fluxos de receitas. “Especificamente, as empresas mais disruptivas estão a lançar 2,8 novos negócios bem-sucedidos por cada negócio com fraco desempenho. Ao mesmo tempo, as receitas geradas pelos novos negócios estão a aumentar: as empresas que lançaram 15 ou mais novos negócios nos últimos cinco anos geraram mais 28% de novas receitas”, refere o estudo.

Em terceiro lugar estão os investimentos na criação de novos produtos físicos, incluindo hardware. Paralelamente, a intenção de criar negócios na área da sustentabilidade, especificamente negócios focados na redução das emissões de carbono e na fabricação verde, também está a aumentar, com 31% contra 29% em 2022.

Em contrapartida, a criação de novas empresas digitais está a diminuir ligeiramente (30% contra 34% no ano passado).

Além disso, de acordo com os resultados do inquérito, espera-se que a inteligência artificial generativa aumente o investimento na criação de novos negócios.

De acordo com Fernández, “as capacidades de IA podem reforçar a criação de novos negócios de várias formas, desde a melhoria da produtividade das startups – através da automatização inteligente de processos – até à completa disrupção e transformação dos modelos de negócio nos próximos anos. Esta é a convicção de 75% dos investidores e de 45% dos próprios líderes empresariais”.

“De facto, esta tecnologia está posicionada como um dos facilitadores do empreendedorismo empresarial: 56% dos líderes acreditam que a IA será necessária para lançar novos negócios nos próximos cinco anos, duplicando o impacto esperado de qualquer outra tecnologia, incluindo a IoT – Internet das Coisas (27%), blockchain (17%) e robôs físicos (17%)”, acrescenta o partner da McKinsey.

Por último, o estudo diz que a diversidade nas equipas de liderança das novas empresas melhora os objetivos de desempenho. Pois 73% das empresas lideradas por mulheres ou líderes de grupos diversificados cumpriram ou excederam as expectativas, em comparação com 58% das empresas lideradas por equipas menos diversificadas

De acordo com o relatório, as novas empresas lideradas por mulheres estão a aumentar, representando atualmente 21% das novas empresas, em comparação com 14% em 2021.

 

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