Lucro da banca global atinge recorde de 1,3 biliões de dólares, mas IA e fintechs ameaçam liderança, diz McKinsey

A maior ameaça reside na perda da custódia e controlo da relação com o cliente. O estudo indica que as 1.000 maiores empresas de fintech do mundo capturaram já 17% das receitas do setor face aos grandes bancos, contra apenas 10% em 2021.

Lucro da banca global atinge recorde de 1,3 biliões de dólares, mas IA e fintechs ameaçam liderança, diz McKinsey
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O setor bancário global registou um lucro líquido recorde de 1,3 biliões de dólares (cerca de 1,2 biliões de euros) em 2025, um aumento de 7% em relação ao ano anterior, consolidando-se como a indústria mais lucrativa do mundo. No entanto, o setor enfrenta um “ponto de rutura” histórico na relação com os clientes devido à rápida expansão da Inteligência Artificial (IA) e ao crescimento fulgurante das fintechs e neobancos.

As conclusões constam na antevisão do Global Banking Annual Review 2026, publicado pela consultora McKinsey & Company, que alerta para a necessidade de os bancos tradicionais acelerarem drasticamente as suas estratégias tecnológicas sob pena de perderem a liderança do mercado.

Sinais de Alerta no Horizonte

Apesar dos resultados financeiros robustos, impulsionados em parte pela estabilidade das margens financeiras globais (que recuaram ligeiramente de 1,65% para 1,63% em 2025) , os analistas da McKinsey apontam para vários “sinais amarelos”.

O Retorno sobre o Capital Próprio Tangível (ROTE) global começou a descer, fixando-se nos 11,8% em 2025 face aos 12,4% registados em 2024. Além disso, os rácio preço/valor contabilístico (P/B) e preço/lucro (P/E) da banca continuam a ser os mais baixos de qualquer setor económico.

“Os investidores parecem deliciados com os resultados recentes, mas não estão a comprar uma visão de longo prazo de crescimento contínuo e lucro”, refere o relatório, sugerindo ceticismo quanto à capacidade de a banca tradicional se reinventar para o futuro.

A maior ameaça reside na perda da custódia e controlo da relação com o cliente. O estudo indica que as 1.000 maiores empresas de fintech do mundo capturaram já 17% das receitas do setor face aos grandes bancos, contra apenas 10% em 2021.

Os neobancos lideram esta disrupção. O Revolut atingiu os 69 milhões de clientes no final de 2025, tornando-se o 11.º banco mais valioso da Europa, enquanto o Nubank, com 131 milhões de clientes, já é a instituição financeira mais valiosa da América Latina. Em termos de rentabilidade, estes novos operadores digitais apresentam taxas de retorno sobre o capital (ROE) entre os 30% e os 35%, muito acima da banca tradicional.

A McKinsey destaca ainda o papel da “IA Agente” (Agentic AI) — sistemas capazes de automatizar decisões financeiras autonomamente, como transferir dinheiro para contas com melhores juros em tempo real. A velocidade de adoção da IA generativa está a ser sete vezes mais rápida do que a transição histórica para o digital banking , anulando a tradicional vantagem de inércia com que os bancos lidavam no passado.

Perante este novo mapa financeiro, o modelo do banco universal global está em retrocesso. Grandes instituições como o HSBC e o Citigroup reduziram ou venderam as suas operações de retalho internacionais para se focarem em geografias prioritárias. Em 2005, metade dos 20 maiores bancos do mundo por capitalização bolsista eram operacionais globais; em 2025, esse número caiu para apenas quatro.

A consultora conclui que as administrações bancárias já não se podem limitar a “esperar que a tempestade passe”. Para sobreviver à concorrência tecnológica, os bancos tradicionais terão de adotar “estratégias de precisão com velocidade acrescida”, acompanhando o ritmo implacável do desenvolvimento tecnológico.

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