Marques Mendes diz que Relatório da Provedoria de Justiça deve ser tido em conta pelos líderes políticos

Provedoria de Justiça apontou dificuldades no atendimento nos serviços públicos e o comentador destacou a importância das conclusões deste estudo para o futuro Governo.

Marques Mendes diz que Relatório da Provedoria de Justiça deve ser tido em conta pelos líderes políticos
Cristina Bernardo

Luís Marques Mendes, no seu habitual comentário da SIC, falou do recente Relatório da Provedoria de Justiça sobre o mau funcionamento dos serviços públicos (administração pública).

“É um relatório que o país deve conhecer. Há problemas, injustiças e mau funcionamento dos serviços públicos que não devem ser ignorados”, disse.

O relatório dá conta que desde 2018, antes da pandemia até 2022 os atendimentos na Segurança Social foram reduzidos a metade, ao passar de 8,6 milhões de utentes para 4,1 milhões de utentes.

“É preciso que o atendimento nos serviços não tenha de ser só com marcação prévia”, defende o comentador.

O atendimento nos serviços das Finanças ainda é pior. Em 2018, houve 9,4 milhões de atendimentos, número que caiu para 2,3 milhões em 2022.

A capacidade de resposta diminuiu muito, realça o comentador.

Os serviços públicos são pouco acessíveis e demorados, denunciou a Provedoria de Justiça num relatório com 25 recomendações relacionadas com o atendimento nos serviços públicos pós-pandemia.

A Provedoria de Justiça analisou ainda os tempos máximos de espera, e na Loja do Cidadão, no Saldanha, verifica-se que para tirar ou renovar o Passaporte são seis horas e 17 minutos; para o cartão do cidadão são cinco horas e 5o minutos; e Segurança Social são 7 horas e 53 minutos. “São tempos de espera exagerados”, realçou o comentador.

“Isto tem de ser resolvido”, defendeu Marques Mendes que considera que “isto é que tem de ser um assunto importante para os líderes políticos”.

Adotar práticas de gestão da afluência aos serviços públicos que diminuam os tempos de espera e previnam o aparecimento de redes de facilitação é uma das recomendações que constam no documento.

A Provedora de Justiça defendeu na passada terça-feira a proibição das linhas de valor acrescentado, bem como a necessidade de garantir a natureza facultativa das soluções digitais no atendimento aos cidadãos, como forma de evitar situações de exclusão ou dependência.

Sobre o atual contexto eleitoral, Marques Mendes diz que é difícil a situação dos “partidos dos extremos”.

“Estão em queda. Até o Chega. Apesar de continuar com valor alto, teve uma queda de 2pp na sondagem da Universidade Católica divulgada esta semana”, refere o comentador.

Marques Mendes considera difícil também a situação no hemisfério político da esquerda.

“Os partidos da esquerda somados não ultrapassam os 38%, na mesma sondagem da Católica. Um dos valores mais baixos da história da nossa democracia”, disse.

Marques Mendes reconhece que é difícil é haver uma maioria absoluta no Parlamento. Mas, de acordo com a sondagem da Universidade Católica, a AD e a IL somadas já atingem 41%. Um valor muito próximo do resultado do PS há dois anos.

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