Mario Draghi distinguido com o Prémio Carlos Magno

O ex-primeiro-ministro e ex-governador do Banco Central Europeu "desempenha um papel fundamental no fortalecimento da economia europeia" na nova ordem global, afirma o comité do prémio.

Mario Draghi distinguido com o Prémio Carlos Magno
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Mario Draghi, ex-primeiro-ministro, ex-governador do Banco Central Europeu (BCE) e relator do relatório conhecido pelo seu próprio nome, foi esta quinta-feira homenageado com a entrega do Prémio Carlos Magno (iniciador do Sacro Império Romano-Germânico). O prémio pretende distinguir os “serviços históricos” de Mario Draghi no que diz respeito à integração europeia e ao seu papel renovado na definição do futuro económico do bloco.

O prémio internacional não é um acaso: pretende de algum modo, e segundo a organização, distinguir alguém que tem pretendido emprestar ao bloco dos 27 um lugar cimeiro no seio das maiores economias mundiais (neste caso entendendo o bloco como uma única unidade orgânica). Draghi pretende também que os 27 assumam um lugar de destaque na geopolítica global – mas, neste caso particular, não tem sido bem-sucedido: China e Estados Unidos são destacadamente as potências que importam, com a União Europeia a falhar a sua presença naquele restrito grupo.

A escolha do momento para a atribuição do prémio é, assim, deliberada: a Europa corre o risco de se tornar “um peão no jogo de outras potências”, a menos que consiga assegurar a sua soberania, alertou o comité do prémio, acrescentando que a competitividade e a força económica são essenciais para uma Europa soberana. “Mario Draghi desempenha um papel fundamental no fortalecimento da economia europeia, e o Relatório Draghi 2024 descreve os planos necessários para garantir a competitividade, o crescimento e a estabilidade na União Europeia”, afirmou.

O relatório Draghi, que apela a uma “mudança radical” na tomada de decisões da UE, envia uma mensagem clara: a Europa já não pode confiar apenas na gestão de crises. “Este novo mundo não nos é benevolente”, alertou Draghi no ano passado. “Não espera por rituais lentos e coletivos.”

O comitê do prêmio instou os governos da União e a Comissão Europeia a implementarem as recomendações de Draghi “imediatamente”, apresentando o relatório como um plano de sobrevivência, e não como mais um livro branco de Bruxelas. Sucede que, segundo todos os analistas, as recomendações de Draghi – que ‘salvou’ o euro das metástases da crise do subprime e da pandemia – estão longe de terem sido suficientemente adotadas como traves-mestras das políticas da Comissão.

O Prémio Carlos Magno homenageia indivíduos ou instituições que tenham dado uma contribuição excecional para a unidade, a paz e a integração europeias. Entre os vencedores recentes estão o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o povo ucraniano, o rabino-chefe Pinchas Goldschmidt e as comunidades judaicas na Europa, e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen – que por acaso é alemã e cuja atuação à frente daquele organismo tem sido fortemente contestada.

Draghi era um candidato inevitável, desde que prometeu fazer “o que fosse preciso” como presidente do BCE no auge da crise da dívida soberana em 2012. Essa promessa é frequentemente considerada crucial para garantir a sobrevivência da moeda única.

Um ano após deixar a presidência do BCE em 2019, Draghi, de 78 anos, foi escolhido pelo presidente italiano Sergio Mattarella para formar um “governo de unidade nacional” após o colapso do executivo liderado por Giuseppe Conte. O seu sucesso à frente da Itália durante a crise da Covid-19 e na condução da recuperação económica foi considerada por muitos como “notável”.

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