Mariana Leitão: “Os portugueses já indicaram o caminho, falta agora a coragem política para os acompanhar”

A presidente dos liberais considerou, na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, que, perante a “estagnação do seu nível de vida” e “inação da classe política”, os portugueses, como fizeram durante a ditadura, voltaram a emigrar “para as economias liberais da Europa”.

Mariana Leitão: “Os portugueses já indicaram o caminho, falta agora a coragem política para os acompanhar”
epa12912784 Leader of the Liberal Initiative party (IL) Mariana Leitao delivers a speech at the ceremony commemorating the April 25th Carnation Revolution at the Parliament in Lisbon, Portugal, 25 April 2026. The 25th April 1974 Carnation Revolution ended the authoritarian regime of Estado Novo (New State) that ruled the country between 1926 to 1974. EPA/RODRIGO ANTUNES

A presidente da IL afirmou hoje que Portugal tornou-se um país esquecido e um “lamaçal de ressentimento” e pediu mudanças “sem medo e sem donos”, argumentando que “os portugueses já indicaram o caminho” e falta apenas “coragem política”.

Num discurso na sessão solene comemorativa do 52.º aniversário do 25 de Abril de 1974, Mariana Leitão afirmou que a Revolução dos Cravos “não foi uma imposição política” e que os portugueses anteciparam a data da “maneira que lhes era possível, indo embora” do país para “viver nas democracias europeias e liberais”.

A líder da IL frisou que “é hoje reconhecido que a revolução portuguesa do 25 de Abril foi o início da terceira vaga de democratização que varreu o mundo até ao final do século XX”, mas que o país não valoriza esse feito por serem “tantas as vezes” em que se lamenta por “já não estar na vanguarda do mundo”.

“Mas reconhecer este feito é também reconhecer que, a partir de determinada altura, estagnámos, deixámos a dianteira, de ser um exemplo a seguir, de indicar um caminho. Voltámos a ser ignorados. Um país esquecido, estagnado, inerte, um pântano que cedo se tornou num lamaçal de ressentimento”, lamentou.

Mariana Leitão criticou também os “desentendimentos frívolos, levianos e inconstantes que apenas alimentaram oportunistas à esquerda e à direita que dão voz à zanga, mas não às soluções”.

A presidente dos liberais argumentou que, perante a “estagnação do seu nível de vida” e “inação da classe política”, os portugueses, como fizeram durante a ditadura, voltaram a emigrar “para as economias liberais da Europa”.

Para Leitão, os deputados têm agora o desafio de continuar a cumprir os objetivos da Revolução e reformar o país: “Abril não se fez para que nada mudasse, fez-se precisamente para que tudo pudesse mudar, sem medo e sem donos”.

“Cabe ao poder político fazer o que lhe compete, o que só ele pode fazer, o que até hoje não fez. Os portugueses já indicaram o caminho, falta agora a coragem política para os acompanhar”, considerou.

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