“A sustentabilidade não é uma matéria nova. É uma nova forma de olhar para a estratégia do negócio”, afirmou esta terça-feira Maria Figueiredo, counsel da CMS Portugal, no pequeno-almoço de debate do JE sobre os critérios ESG, associado ao Special Report ESG, que o jornal vai publicar na próxima sexta-feira.
A responsável da CMS defendeu que a par do alinhamento estratégico, é preciso fazer o diagnóstico de maturidade de sustentabilidade, até porque este pode revelar que há “boas práticas que encaixam nos requisitos ESG e que precisam tão só de ser ‘recauchutadas'”.
Maria Figueiredo defendeu que, na perspetiva de custos, há ferramentas de inteligência artificial que “podem ser muito úteis” na jornada de sustentabilidade, trazendo ganhos de eficiência. A existência de equipas transversais também tem um papel importante no processo.
A counsel da CMS Portugal considerou ainda que a ligação entre a boa gestão de risco e a criação de valor nem sempre é fácil de compreender pelas pequenas e médias empresas. Mas, adiantou, que há cada vez maior consciência de que para gerar valor há que fazer adaptação a novos riscos.
Em matéria de ESG – Ambiente, Social e Governance -, a maturidade dos temas é muito inferior nas empresas mais pequenas, salientou, antes de abordar os desafios e dificuldades, que se colocam às PME e que são vários. À cabeça das dificuldades situou o tema dos custos, do qual decorrem muitos outros. “O tecido empresarial está espartilhado entre os poucos recursos e os custos, mas há também uma questão de capacitação”, afirmou.
“A avalanche regulatória é um tema que vejo como especialmente desafiante”, adiantou Maria Figueiredo, salientando, no entanto, a “enorme complexidade” de que se reveste. A Europa, em concreto, salientou, “tem um papel de estandarte” na regulação nestas matérias, mas “há uma questão de competitividade que tem que ser encarada como desafio nos próximos tempos”.
Maria Figueiredo falava no pequeno-almoço de debate do Jornal Económico, esta terça-feira, 4 de junho, no Hotel InterContinental, em Lisboa, num painel integrado por Carlos Correia de Barros, CFO e executive board member da Secil, José Costa Pinto, membro da direção do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG) e Pedro Cruz, ESG coordinator partner da KPMG Portugal, e moderado por Ricardo Santos Ferreira, diretor do Novo e subdiretor do JE.
O encontro foi aberto por José Carlos Lourenço, CEO do grupo Media Nove, seguindo-se uma intervenção de fundo por João Moreira Rato, presidente do Instituto Português de Corporate Governance (IPCG).
Este pequeno-almoço de debate está associado ao Special Report sobre os critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governance (ESG), que vamos publicar na edição do Jornal Económico do próximo dia 7 de junho.