Paulo Estêvão, Líder Parlamentar do PPM Açores

Marcelo I, “O Beijoqueiro”

Decidi inovar e atribuir cognomes aos Presidentes da República. O povo já tratou do caso de Mário Soares, “O Bochechas”. Vou dedicar-me a Marcelo, o segundo Presidente-Rei da República.

Os cognomes dos reis resumem a forma como os mesmos desempenharam as suas funções. No entanto, abundam os casos em que os cognomes resultam apenas de características físicas ou comportamentais dos monarcas.

Veja-se o caso do desgraçado do Henrique IV de Castela, “O Impotente” (1454-1474). O seu insucesso em consumar sexualmente o matrimónio com Branca de Navarra teve como consequência a anulação do matrimónio. Foi o próprio Henrique IV que se entregou às más-línguas, afirmando que tinha tentado tudo ao longo de três anos, sem qualquer resultado prático.

A lista de reis espanhóis maltratados é longa. O povo chamou-lhes tudo: urso, monge, louca, teimoso, enfeitiçado, pasmado, corcunda, gordo, mau, doente e até gotoso. O meu preferido é o lendário “Pepe Botelha”, cognome que descreve bem o gosto excessivo de José I de Espanha (1808-1813) pelo vinho.

Tendo em conta a severidade espanhola, o nosso D. Afonso II, “O Gordo” (1211-1223), não tem grandes razões de queixa. Pelo que fez, D. Pedro I (1357-1367) mereceu mesmo ser apelidado de “O Cruel”. Já os ingleses são do pior que existe. Trata-se de holiganismo puro. Para os ingleses, Jaime II (1685-1688) é o “James the Shit”. O Rei Jorge IV (1768-1830) descuidou um pouco a linha e foi logo apelidado de “O Rei das Baleias”. A Rainha Maria I (1553-1558) recebeu o cognome de “A Sangrenta”. Os ingleses nem sequer descontaram o facto de ser filha do lendário e sanguinolento Henrique VIII. Ter um pai destes desculpa muita coisa.

Decidi inovar e atribuir cognomes aos Presidentes da República. O povo já tratou do caso de Mário Soares, “O Bochechas”. Vou dedicar-me a Marcelo, o segundo Presidente-Rei da República.

Depois de o ter acompanhado e de ter apanhado uma grandíssima estafa no seu encalço pelas canadas da ilha do Corvo, decidi desenterrar o cognome do Rei de Inglaterra Haroldo I (1035-1040). Este monarca ficou conhecido como o “Pés de Lebre”. Decidi, no entanto, desistir deste cognome. Não quero ofender o PAN, que pode confundir o cognome com um troféu de caça.

A minha outra escolha é o fantástico cognome do Rei Luís XI (1461-1483): “O Rei Aranha”. O povo francês atribuiu-lhe esta designação devido às complexas maquinações e intrigas políticas que este monarca engendrou durante o seu reinado. O Presidente Marcelo é uma espécie de reincarnação quase perfeita do “Rei Aranha”. Tenho, no entanto, medo de ser processado devido a apropriação ilegal de propriedade intelectual da “Marvel Comics”.

Eliminadas as hipóteses anteriores, refugio-me na brejeirice mais básica e escolho o cognome de “O Beijoqueiro”, tendo em conta que essa é a principal ocupação do atual Presidente da República. Isso e falar sem rei nem roque. Não está mal visto, pois não?

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