Mais de três em cada dez advogados em Portugal não voltavam a escolher profissão

A conclusão é de um estudo da associação Direito Mental, apresentado esta terça-feira. É ainda mencionado que 34% dos juristas em Portugal recebeu, pelo menos, um diagnóstico de uma perturbação psicológica, como depressão, ansiedade e ou esgotamento.

Mais de três em cada dez advogados em Portugal não voltavam a escolher profissão
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Mais de um terço dos advogados em Portugal não voltaria a escolher a profissão que tem (35%) ou recebeu, pelo menos, um diagnóstico de uma perturbação psicológica (34%), como depressão, ansiedade e ou esgotamento (burnout), concluiu o primeiro estudo sobre o estado psíquico dos profissionais da advocacia nacional, apresentado esta terça-feira.

A análise da associação Direito Mental, desenvolvida em colaboração com a organização ProChild CoLAB e o Centro de Investigação em Psicologia da Universidade do Minho, envolveu uma amostra de 823 participantes (advogados, estagiários, advogados in-house e outros juristas) e está a ser aprestada neste 10 de outubro, no Dia Mundial da Saúde Mental, no Teatro São Luiz, em Lisboa.

A maioria dos inquiridos (55%) reconheceu que as exigências do seu trabalho os privam de participar em atividades familiares, o que acaba por ter um impacto negativo no seu bem-estar. Importa também realçar que 36% dos profissionais da área do Direito disseram ter vivido no mínimo um evento negativo, com efeitos significativos na sua vida, nos últimos dois anos, nomeadamente doenças familiares, desemprego e consequências negativas da pandemia.

“Este estudo expõe claramente o panorama organizacional jurídico e é um marco importante no caminho para a promoção da saúde mental dos profissionais de Direito. Ao reconhecermos estes desafios, podemos criar um ambiente mais saudável para todos. Queremos sinalizar aos nossos colegas que os ouvimos e demonstrar o nosso compromisso em tomar medidas eficazes para auxiliar quem precisa”, afirmou a diretora executiva da Direito Mental, Raquel Sampaio.

Os tais 35% que se mostraram mais insatisfeitos com carreira evidenciaram níveis mais elevados de sintomas de depressão, ansiedade e burnout, enquanto os que garantiram estar bem no trabalho apresentaram menos sintomas. Além dos problemas do foro psicológico, quase dois em cada dez (18%) assinalaram um diagnóstico prévio de doença crónica ou condição médica de longa duração, nomeadamente hipertensão, hipertiroidismo e patologias autoimunes.

A psicóloga Marlene Sousa, investigadora no Laboratório ProChild, acha que as conclusões deste estudo “são um alerta claro para a necessidade de sensibilização e apoio à saúde mental nesta comunidade”. Na sua opinião, revelam “um quadro preocupante e evidencia a importância crucial de implementar estratégias de apoio eficazes, baseadas na evidência empírica, para promover a saúde mental e o bem-estar dos profissionais do Direito”.

Reveja a entrevista da presidente da Direito Mental, Rita Rendeiro, ao Jornal Económico

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