Professores educadores protestam este sábado nas ruas da capital por melhores condições de trabalho. A manifestação nacional, promovida pela FENPROF, conta com a adesão dos outros sete sindicatos da convergência, bem como da Federação Nacional de Educação (FNE) afeta à UGT. Até o divergente Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), que ainda tem uma greve a decorrer nas escolas, anunciou que irá estar presente.
A concentração começa a partir das 14h00 junto ao Marquês de Pombal e o início do desfile, entre a Praça Marquês de Pombal e a Praça do Comércio, está previsto para as 15h30. O protesto é organizado pela FENPROF, mas conta também com a participação da Federação Nacional de Educação (FNE) e das sete organizações sindicais da convergência: ASPL, Pró-Ordem, SEPLEU, SINAPE, SINDEP, SIPE e SPLIU.
O grande fluxo de pessoas vai condicionar o trânsito a partir das 12h30 de sábado em várias zonas do centro de Lisboa, existindo algumas vias que vão estar interditas à circulação, indica o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP.
O condicionamento de trânsito será “sequencial e à medida que seja necessário” nas avenidas Fontes Pereira de Melo, Duque de Loulé e Joaquim António de Aguiar, Rua Braamcamp, Túnel do Marquês de Pombal (no sentido descendente só será possível sair para a Avenida António Augusto de Aguiar), Praça Marquês de Pombal, Avenida da Liberdade, Praça dos Restauradores, Rua 1º de Dezembro, Praça Dom João da Câmara, Praça Dom Pedro IV, Rua Áurea e Praça do Comércio.
Entre os professores acredita-se que esta manifestação de 11 de fevereiro de 2023 fique para a história como um dos maiores protestos de docentes de sempre, tornando o “Terreiro do Paço pequeno para tanta gente”, nas palavras de Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF.
Júlia Azevedo, presidente do SIPE, fala-nos de “um gigantesco grito de indignação”. Só este sindicato tem previsto a mobilização de dezenas de autocarros que partem de várias zonas do País, essencialmente do Norte.
No total, são esperados qualquer coisa como 600 autocarros vindos de todo o Portugal, apontando as estimativas para uma participação na casa das 100 mil pessoas.
“O Governo não pode enfiar a cabeça na areia e fingir que está tudo bem! A profissão que forma todos os profissionais está em vias de extinção e isso é um grave problema para o País e para todos nós”, afirma Júlia Azevedo, exigindo que o ministro da Educação, João Costa, compreenda a necessidade urgente de “abrir processos negociais que permitam devolver a dignidade docente, nomeadamente a recuperação do tempo de serviço, horários de trabalho, aposentação, entre outros”.
Os professores defendem, entre outros coisas, a contabilização de todo o tempo de serviço, o fim das vagas de acesso aos 5.º e 7.º escalões e a possibilidade de aposentação sem penalização após 36 anos de serviço.
O protesto dos professores teve início ainda em dezembro de 2022 com uma greve promovida pelo S.T.O.P. que se mantém por tempo indefinido. A este juntaram-se outras duas greves, uma ao primeiro tempo de serviço de cada professor, convocada pelo SIPE, com início a 3 de janeiro de 2023; e uma greve de âmbito nacional com incidência distrital, promovida pela FENPROF com o apoio de outros sete sindicatos.
A greve distrital percorreu os 18 distritos do continente, terminando esta quarta-feira no Porto. Registou na maior parte dos casos adesão superior a 95%, atingindo, por vezes, os 98%.
Um artigo do Jornal Económico publicado a 12 de janeiro explica as razões das greves