Quando Inácio Lula da Silva aterrar em Portugal no próximo dia 22 de abril, dará início à sua 144ª visita oficial enquanto presidente do Brasil e – discurse ou não discurso na Assembleia da República três dias depois – esse número de três dígitos atesta bem a importância que o antigo líder sindical atribui ao papel que o Brasil desempenha no cômputo planetário.
Uma das suas declaradas intenções é, aliás, recuperar o tempo perdido: o seu antecessor, Jair Bolsonaro, realizou apenas 24 viagens oficiais, das quais oito (um terço delas) repetiram o destino: os Estados Unidos.
Estes dados meramente estatísticos apontam indesmentivelmente para que Bolsonaro esvaziou, pela sua ausência, o papel que o Brasil de Lula da Silva tinha sabido construir ao longo dos primeiros oito anos da sua presidência.
O roteiro das suas visitas também deixa poucas dúvidas: quando chegar ao fim o primeiro trimestre do seu terceiro mandato, Lula da Silva já terá estado nos Estados Unidos e na China – as duas economias mais importantes do mundo e os dois países que com mais intensidade praticam um crescente ódio mútuo.
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