Livro: “Os Quatro Pontos Cardeais”

Para Jerry Brotton, historiador britânico, professor de Estudos do Renascimento e um profundo amante de mapas, em papel, claro, tudo lhe dizia que era preciso escrever sobre a invulgar história da orientação.

Livro: “Os Quatro Pontos Cardeais”
Jerry Brotton_web

O escritor Luis Sepúlveda dizia que o seu país só tinha dois pontos cardeais, Norte e Sul, uma vez que o Chile é tão estreito e comprido. Que também há Leste e Oeste não é novidade (ainda que, talvez, não no Chile), mas já não é tão óbvio como surgiu esta convenção, o que significa para as diferentes culturas no mundo e como é que quatro pontos criados pela imaginação humana nos ajudam a encontrar a nossa direção.

Parêntesis. Para as novas gerações, habituadas ao GPS e a ver mapas no telemóvel, aumentando e diminuindo a imagem a seu belo prazer, estas questões farão já parte daquilo a que podemos chamar de arqueologia geográfica.

Jerry Brotton, autor de “História do Mundo em 12 Mapas”, não desiste de se debruçar sobre a história da orientação e neste “Os Quatro Pontos Cardeais” apresenta uma série de curiosidades culturais que, não chegando a desorientar os leitores, os leva a questionar algumas ideias feitas sobre a referenciação geográfica, mostrando como é um conceito subjetivo. Por exemplo, por que razão o Norte começou a ser desenhado no topo dos mapas no Renascimento; ou o que levava os chineses a venerar o Sul.

Um livro pertinente, para mais quando tanto se fala de Sul Global, expressão que tem um significado, fundamentalmente, político e social. Como complemento à leitura deste livro das Edições 70, que tem tradução de Miguel Martins, sugere-se o do alemão Dieter Richter que, não estando traduzido para português e não sendo a língua de Goethe a mais comum, pode ser lido em castelhano: “El Sur. Historia de un punto cardinal” (Ediciones Siruela).

Relacionado

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

O que faz Anselm Kiefer com o peso da história?

Ana Pina25 Ago
Memória, mitologia, literatura, música e paisagem. Tudo está interligado nas onze obras que o pintor alemão Anselm Kiefer, um dos grandes nomes da arte contemporânea europeia, expõe até 25 de outubro no Centro de Arte Hortensia Herrero, em Valência, Espanha.
Passeios à boleia de um aviador-escritor

Passeios à boleia de um aviador-escritor

Ana Pina12 Jul
Partimos na companhia de Antoine Saint-Exupéry, o aviador que se apaixonou pela escrita e nos deixou relatos tão diversos como “Voo Noturno” ou o eterno “O Principezinho”, e vamos até lugares que marcaram a sua vida e obra.