Lagarde reforça dependência dos dados nas decisões futuras do BCE

Sem se comprometer com um rumo específico, a presidente do BCE reconheceu que "ainda há caminho a percorrer" na luta contra a inflação, explicitando os fatores que o banco considerará nas próximas reuniões de política monetária.

Lagarde reforça dependência dos dados nas decisões futuras do BCE
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Christine Lagarde admitiu que ainda há trabalho a fazer pelo Banco Central Europeu (BCE) na luta contra a inflação, mas não considera que exista uma contradição entre estabilidade financeira e de preços, mostrando-se confiante que a autoridade monetária conseguirá conjugar ambos os objetivos.

Falando aos jornalistas após a decisão desta quinta-feira de voltar a subir os juros em 50 pontos base (p.b.), a presidente do BCE frisou que a tensão recente no sector bancário agrava a incerteza no curto-prazo, mas reforçou a necessidade de combater as pressões nos preços. Lagarde não se comprometeu com um rumo nas próximas reuniões, repetindo a dependência dos dados nestas decisões, mas apontou aos critérios considerados pelo banco na avaliação que faz da situação atual.

A presidente do BCE revisitou o comunicado do banco emitido alguns minutos antes informando da decisão monetária para março, destacando as componentes da função reação do BCE: “a avaliação das perspectivas para a inflação em função dos dados macro e financeiros que forem sendo divulgados, as dinâmicas implícitas da inflação e a força da transmissão da política monetária”.

Por outro lado, “se for preciso, temos [BCE] os instrumentos existentes disponíveis e há outros mecanismos que podemos ativar quando preciso”, projetou, garantindo total confiança na “criatividade” dos técnicos e decisores do banco central.

A dinâmica implícita da inflação continua a ser das componentes que mais preocupa, ao sinalizar pressões alastradas e bem enraizadas na economia europeia, bem como a vertente dos serviços, onde constrangimentos passados ainda se refletem no preço final ao consumidor.

A tendência será, portanto, de continuar a subir taxas, o que pode agravar problemas como o verificado no Silicon Valley Bank (SVB), que incorreu em avultadas perdas com a desvalorização do stock de bonds no seu balanço. Ainda assim, Lagarde não considera que exista um trade-off entre a promoção da estabilidade de preços e a estabilidade financeira, lembrando os vários instrumentos disponíveis para cada vertente.

Acresce que o “modelo de negócio do SVB era bastante único, com algum desequilíbrio entre os ativos e as liabilities”, sublinhou Luís de Guindos, vice-presidente do BCE, o que reforça a confiança que os problemas não se alastrarão a outros bancos da zona euro.

“As posições de liquidez dos bancos europeus são robustas, com rácios claramente acima dos mínimos requeridos e almofadas de liquidez de alta qualidade, alta liquidez”, resumiu. De Guindos afirmou ainda que a exposição da banca europeia ao Credit Suisse é “bastante limitada” e “sem grande concentração”, pelo que não é de temer um contágio a outros bancos. O BCE garante, no entanto, estar a monitorizar a situação de perto, mostrando-se confiante no sector, classificado como “resistente”.

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