O Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou que o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) deu um salto de 2,7% em março, mais 0,6 pontos percentuais do que em fevereiro, uma evolução “quase na totalidade explicada pelo aumento do preço dos combustíveis”. Confirma-se, assim, a estimativa rápida de 31 de março.
São mais duas décimas do que o valor estimado pelo Eurostat para a Zona Euro, uma diferença que já tinha existido em fevereiro.
A guerra no Irão, que está a motivar uma revisão generalizada das perspetivas de inflação em todo o mundo, começou apenas no final de fevereiro, pelo que este é o primeiro mês completo em que os preços são afetados.
No caso dos produtos energéticos, está em causa uma subida de 5,7%, que se segue a uma descida de 2,2% em fevereiro. Já o índice dos produtos alimentares não transformados aumentou 6,4%, dando continuidade aos 6,7% do mês anterior.
Excluindo os produtos desses dois componentes, que são mais sujeitos a problemas conjunturais, os preços teriam uma evolução normal. Por outras palavras, o indicador de inflação subjacente teve um acréscimo de apenas 0,1 pontos percentuais face a fevereiro, ficando em 2%.
Na evolução face ao mês anterior, está em causa um aumento do IPC de 2%, bem mais do que os 0,1% de fevereiro. Este mês não foi suficiente, no entanto, para alterar a média dos últimos 12 meses, que ficou em 2,3%.
Os dados para Portugal não diferem muito da média da zona euro. Sem contar com a energia e os produtos alimentares não transformados, a inflação ficou apenas duas décimas abaixo (2,2%).
O INE sublinha ainda os aumentos verificados nos transportes, devido ao preço dos combustíveis rodoviários (+3,8%) e na categoria das bebidas alcoólicas e tabaco (+2,9%). Já na saúde (2,3%) e nos serviços financeiros (1,6%), houve uma diminuição das taxas de variação homóloga.