Redação

Independência e prosperidade

Escrevo este artigo em Luanda, num dia simbólico, 11 de novembro de 2014, feriado nacional comemorativo do 39.º aniversário da Independência Nacional de Angola, de onde sou natural.

Hoje decorrem comemorações oficiais e também populares. A nível oficial, não há dúvidas acerca do significado, importância e implicação desta data simbólica. Sobretudo após a paz, em 2002, os valores fundadores da independência estão a materializar-se no dia a dia da sociedade angolana. Apesar de o advento da paz ter acontecido somente há 12 anos, os ideais da independência manifestam-se já em factos políticos, económicos, sociais, culturais, entre outros. Todavia é preciso dar tempo ao tempo para se generalizarem estes benéficos efeitos. O capital de confiança em Angola, quer interna quer externamente, é grande. Os avultados investimentos externos e internos, as opções individuais de alguns cidadãos relativas a carreira, família, aplicação das finanças pessoais, são reveladoras de acreditarem no país.

A nível governamental, o país tem uma estratégia global de desenvolvimento de futuro: “Angola 2025”. Dentro desta, destaco a formação e capacitação dos jovens e dos profissionais angolanos, área que me é pessoalmente muito cara e na qual estou diretamente envolvido. Angola tem informação sobre o atual Stock Nacional de Quadros e uma visão prospetiva da sua evolução até 2020 face às necessidades e crescimento da economia. Por isso definiu um Plano Nacional de Formação de Quadros, inserido numa Estratégia Nacional de Formação, que por sua vez suporta uma Política de Emprego, ou seja, Angola tem uma visão, um desígnio nacional e um caminho para lá chegar. Os parceiros nacionais e internacionais são imprescindíveis para a implementação deste plano de formação e capacitação dos angolanos. O ajustamento entre esta capacitação e realidade da economia angolana potencia a empregabilidade da população ativa, a produtividade individual, a competitividade empresarial, gerando rendimento disponível e prosperidade social.

Informar, inspirar e liderar para o futuro o cidadão comum constitui um enorme desafio. Estou certo de que Angola encontrará formas inovadoras e criativas de o alcançar. Conseguirá, em larga escala, divulgar e motivar o angolano comum para esta visão clara que a liderança do país tem. Alguns aspetos que no dia de comemoração da independência penso serem fundamentais difundir, principalmente juntos dos jovens:

– Principais aspetos da Constituição angolana;

– Educação para a paz;

– Educação para a cidadania (ex.: paz social, trânsito, resíduos, convivência na comunidade…);

– Rumos, caminhos e opções vocacionais/profissionais necessárias à Angola de hoje e de futuro.

Faço votos de que, com o contributo de todos, líderes políticos, empresariais, espirituais, quadros, parceiros, cidadãos e amigos de Angola, o espírito e ideais da independência se materializem no dia a dia dos angolanos, lenta mas sustentadamente. E cada um de nós deve compreender, aceitar e ser agente dessa construção.

Valter Alcoforado Barreira
Executive Director da Knowing Counts
Consultor da angola2learn

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