IA generativa já influencia decisões financeiras de 60% dos portugueses, segundo estudo da McKinsey

Segundo a McKinsey & Company, a IA generativa já é uma realidade amplamente disseminada a nível nacional, com cerca de 95% dos consumidores portugueses a afirmar que conhecem a tecnologia e aproximadamente 67% a utilizá-la, uma percentagem quase fixa nos 65% na geração X e que sobe para 80% e 75% nas gerações Z e Millennial, respetivamente. Este nível de familiaridade posiciona Portugal num patamar elevado de maturidade digital, com implicações diretas para o setor bancário.

IA generativa já influencia decisões financeiras de 60% dos portugueses, segundo estudo da McKinsey
McKinsey Company

A Inteligência Artificial generativa está a ganhar espaço na vida financeira dos portugueses e a alterar a forma como estes escolhem, comparam e utilizam serviços bancários. Segundo um estudo da McKinsey & Company, cerca de 60% dos utilizadores portugueses desta tecnologia recorrem a ela para gerir as suas finanças, com destaque para o aconselhamento em investimentos, a compreensão de produtos financeiros e a comparação entre bancos.

O relatório, integrado no Global Banking Annual Review 2025, indica que Portugal apresenta um elevado nível de familiaridade com a IA generativa: cerca de 95% dos consumidores afirmam conhecer a tecnologia e 67% dizem já utilizá-la. Entre os mais jovens, a adoção é ainda mais elevada, com especial relevância nas gerações Z e Millennial.

“A IA generativa já é uma realidade amplamente disseminada a nível nacional, com cerca de 95% dos consumidores portugueses a afirmar que conhecem a tecnologia e aproximadamente 67% a utilizá-la, uma percentagem quase fixa nos 65% na geração X e que sobe para 80% e 75% nas gerações Z e Millennial, respetivamente. Este nível de familiaridade posiciona Portugal num patamar elevado de maturidade digital, com implicações diretas para o setor bancário”, lê-se no comunicado.

Entre os utilizadores portugueses, os usos mais comuns da IA no setor financeiro são obter aconselhamento sobre investimentos, compreender produtos bancários e comparar serviços ou instituições. Cerca de 40% dizem também recorrer à tecnologia para apoiar decisões de compra, incluindo produtos financeiros, e 88% acreditam que as funcionalidades de IA terão peso na escolha do banco no futuro.

O estudo aponta ainda que 29% dos utilizadores consideram que o aconselhamento financeiro feito por IA é tão bom ou melhor do que o de um consultor humano, subindo para 33% na geração Z. Esta perceção mostra que a tecnologia está a deixar de ser apenas experimental para se tornar uma ferramenta prática na gestão do dinheiro do dia a dia.

Bancos sob pressão para inovar

Apesar da adesão, a maior parte dos portugueses ainda recorre a ferramentas de IA de uso geral, como assistentes externos, em vez de soluções disponibilizadas pelos próprios bancos. Só cerca de 22% usam aplicações de IA fornecidas diretamente por instituições financeiras, o que revela uma oportunidade para o setor bancário reforçar a sua oferta digital.

Benjamim Vieira, sócio sénior da McKinsey, afirma que a IA generativa está a deixar de ser uma curiosidade tecnológica para se afirmar como uma ferramenta recorrente na gestão financeira, sublinhando que os bancos terão de integrar estas soluções nos momentos críticos da relação com o cliente. Para o especialista, confiança, proteção de dados e qualidade das recomendações serão fatores decisivos na competição entre instituições.

O estudo diz que a confiança, no entanto, continua a ser uma questão central. Cerca de 65% dos utilizadores portugueses de IA dizem confiar mais no seu banco principal do que em empresas tecnológicas ou fintechs para disponibilizar serviços baseados em IA. Ainda assim, 70% admitem que poderiam recorrer a serviços de terceiros caso o banco não ofereça este tipo de soluções.

As principais barreiras à adoção apontadas no estudo são a proteção de dados, as respostas demasiado genéricas e a falta de confiança nas recomendações. Mesmo assim, o relatório mostra que a IA já está a influenciar momentos relevantes da relação entre clientes e bancos, incluindo abertura de contas, transferências, planeamento financeiro e decisões de investimento.

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