Os funcionários públicos levam a cabo esta sexta-feira uma greve contra a “política de empobrecimento” adotada pelo Governo. A paralisação foi convocada pela Frente Comum, a única das três estruturas sindicais da Administração Pública que ficou de fora do acordo plurianual de valorização dos salários.
“O Governo quer continuar a impor uma política de empobrecimento dos trabalhadores da Administração Pública. Todos os trabalhadores que não ganham o salário mínimo já perderam, desde que começou a subir o salário mínimo, 276 euros, porque não se atualizaram as tabelas remuneratórias. O que o Governo oferece são 52 euros. Em cima disto, estamos num mês em que a inflação [atingiu] 10% e o que sabemos é que o Governo, em relação à reposição do poder de compra não quer fazer nada”, sublinha Sebastião Santana, líder da Frente Comum.
Convém explicar que, para 2023, o Governo anunciou aumentos de 52 euros para todos os funcionários públicos que ganham até 2.600 euros e de 2% para os demais. Além disso, para os assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos superiores haverá alguma valorização extra, de modo a repor a proporcionalidade entre estas carreiras.
Estas medidas constam do acordo assinado pelo Executivo de António Costa com a Frente Sindical liderada pelo Sindicato dos Quadros Técnicos e com a Federação dos Sindicatos da Administração Pública (FESAP), tendo a Frente Comum sido, desde o início do processo, muito crítica do que estava em cima da mesa. Tanto que a greve que decorre esta sexta-feira foi convocada ainda antes de o acordo ser assinado.
“São propostas insuficientes. O Governo tem dinheiro para fazer muito mais do que está a fazer. Não o faz por opção. A Frente Comum tem soluções para os problemas que os trabalhadores da Administração Pública apresentam”, frisa Sebastião Santana. “É por isso que vamos estar em greve no dia 18: precisamos que o Governo responda à reivindicações dos trabalhadores”, acrescenta.
Ainda esta semana, à saída de uma reunião no Ministério da Presidência, esse sindicalista realçou também que a greve que decorre esta sexta-feira será a “resposta expressiva” dos trabalhadores às propostas do Governo. “Vai ser uma resposta expressiva, porque os trabalhadores estão fartos de empobrecer”, assegurou.