Grupo Tecnimede quer faturar mais de 600 milhões em 2030

António Donato, CEO do grupo farmacêutico português, revela ao JE que quer faturar 600 milhões de euros daqui a cinco anos. Este ano serão 378 milhões. ‘Rebranding’ tem por detrás estratégia de crescimento alicerçada no valor gerado pela atividade e focada nos medicamentos de valor acrescentado.

Grupo Tecnimede quer faturar mais de 600 milhões em 2030
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Quando assumiu a função de CEO do Grupo Tecnimede, António Donato propôs-se duplicar a faturação em cinco anos. No final do próximo ano, atinge o objetivo estabelecido em 2022. Fazer crescer um negócio é como andar de bicicleta, quanto mais se pedala mais acelera o ritmo.

 “A nossa meta é superar os 600 milhões em 2030”, adianta ao Jornal Económico (JE). Ou seja, duplicar mais uma vez. Já este ano, o CEO quer ver o grupo a faturar 378 milhões de euros. Ou seja, mais 50 milhões do que no último exercício.

 Com efeito, em 2025, a soma aritmética da faturação de todas as unidades de todas as geografias do Grupo Tecnimede atingiu 327 milhões de euros. “Esta evolução será claramente alicerçada pelo aumento da nossa capacidade industrial e pelo nível de diferenciação do nosso portefólio, por isso é que estamos a investir tanto em medicamentos de valor acrescentado”, justifica.

 Fundada em 1980 por Jorge Ruas, a Tecnimede permaneceu durante décadas sob a direção de Jorge Ruas e de sua mulher, Maria do Carmo Neves, ambos médicos pneumologistas do Hospital Pulido Valente.

 António Donato é o primeiro CEO que não pertence à família, que continua a deter a totalidade do grupo empresarial familiar. Conversamos com ele nas instalações da empresa na Abrunheira, concelho de Sintra. Explica-nos que o rebranding apresentado no último trimestre de 2025, no qual esteve bastante envolvido, vai muito além de uma mera estratégia de marketing. Corresponde à dinâmica da total profissionalização.

 “Não queremos perder a agilidade de uma empresa familiar, mas com a dimensão que já atingimos, precisamos do rigor e da capacidades e planeamento e de execução de uma empresa altamente profissionalizada”.

  Adianta que a estratégia de crescimento, a bússola que vai guiar os destinos do grupo nos próximos anos, está alicerçada no valor gerado pela atividade e focada nos medicamentos de valor acrescentado. “Desenvolvemos três eixos, três avenidas que nos orientam e que explicam o que somos, o que fomos e o que estamos a construir”, diz sobre a designada estratégia “EIA” – Expandir, Investir e Ativar.

  “Temos orgulho em ter uma unidade de medicamentos genéricos e temos a ambição de ser uma empresa com inovação disruptiva com a Terapia Celular, desenvolvendo soluções totalmente novas para áreas onde existem necessidades médicas não satisfeitas que sejam relevantes”, afirma.

 O Grupo Tecnimede começou nos medicamentos genéricos, atividade que continua a desenvolver, mas o foco está cada vez mais em inovação evolutiva nas patologias mais prevalentes. Não é por acaso. No mundo em geral, e em Portugal, em concreto 50% da população sofre de uma patologia crónica e isto afeta não apenas as pessoas, mas o contexto em que se inserem, às famílias, o círculo social, o círculo profissional, tornando as doenças crónicas como a hipertensão, o colesterol, a diabetes e a dor áreas de grande aposta por parte da indústria farmacêutica.

 “Em termos de I&D (investigação e desenvolvimento) focamo-nos nos medicamentos de VAMs (Value Added Medicines)”, adianta António Donato, precisando que “mais de 70%” do pipeline em desenvolvimento, neste momento, é nessa área. “Moléculas que já foram estudadas e que nós trabalhamos, desenvolvendo novas combinações fixas, injetáveis de longa duração que envolvem processos tecnológicos mais complexos, ensaios clínicos, geralmente globais e multicêntricos”, explica.

 A Tecnimede foi criada com o objetivo de desenvolver novos produtos, ou seja, basicamente, tendo o mundo como horizonte, salienta o CEO: “A empresa nasceu praticamente global nessa perspetiva. Mais do que um eixo estratégico, a internacionalização era uma razão de existir”.

 Atualmente, o Grupo Tecnimede pertence ao clube restrito das empresas portuguesas que exportam para mais de 100 destinos. Entre os seus clientes estão todos os mercados regulados do mundo. Em concreto, a Europa representa cerca de 50% das exportações. Espanha, Alemanha, Itália, têm um papel de relevo, mas Hungria, Polónia também são mercados interessantes.

 No mapa-mundo destacam-se também a América Latina e, naturalmente, o mercado maduro da América do Norte, que representa cerca de 15% a 16% da exportação. As tarifas impactam? “Neste momento, não. Nós para os Estados Unidos não exportamos value added, só exportamos genéricos e os genéricos estão isentos de tarifas”.

 António Donato, além de CEO, também ensina na Universidade de Coimbra e é vice-presidente da direção da APIFARMA – Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica. Passa parte da vida a viajar, com muitos assuntos na bagagem. Aqui, em terra firme, na Abrunheira, a conversa começou com um que lhe é muito caro, a outra face do negócio: “Tratamos mais de nove milhões de pessoas por ano em todo o mundo com todos os produtos que desenvolvemos e exportamos.”

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