Polícia dos combustíveis vai investigar descida lenta dos preços na bomba

Ministra do Ambiente diz não perceber descida lenta dos combustíveis na bomba, após queda do preço do petróleo com acordo no Médio Oriente.

Polícia dos combustíveis vai investigar descida lenta dos preços na bomba
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A polícia dos combustíveis vai investigar a descida lenta dos preços nas bombas. Depois do disparo nos preços provocado pela guerra no Médio Oriente, os preços do petróleo têm vindo a descer, mas na bomba estão a cair mais lentamente.

A Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE) vai ficar responsável por analisar esta questão, anunciou o Governo esta quarta-feira.

“Já pedimos à ENSE para olhar para esta questão” sobre o “facto” de os preços “não estarem a descer com a mesma velocidade com que subiram”, disse a ministra do Ambiente e da Energia no Parlamento.

“É algo que não tem razão de ser. Queremos perceber exatamente porque é que está a acontecer”, segundo Maria da Graça Carvalho.

Governo avisa que há duas “linhas vermelhas” no negócio da refinaria de Sines

A ministra do Ambiente e da Energia disse esta quarta-feira que tem “duas ferramentas” para garantir que a refinaria de Sines vai ficar aberta após a operação entre a Galp e os espanhóis da Moeve.

“O Governo está a fazer o seu trabalho. O facto de os investidores e acionistas serem de fora da Europa dá-nos algumas capacidades legais de atuar, temos poder para isso legalmente. Por outro lado, somos acionistas em mais de 8%. São as duas ferramentas que temos para atuar”, começou por dizer Maria da Graça Carvalho em audição no Parlamento.

“Queremos garantir duas condições. Uma, que continuemos a ter uma refinaria em solo português. Duas, que em situação de crise essa refinaria tem Portugal como principal objetivo de fornecimento. Sai um pouco das regras de mercado, mas é isso que queremos garantir. São as nossas linhas vermelhas: a localização e a situação de crise”, de acordo com a ministra.

Sobre a primeira ferramenta ao dispor do Governo para colocar pressão sobre a Galp e a Moeve, a governante destacou as “diretivas europeias e a legislação nacional” sobre ativos estratégicos e por se tratar de “acionistas de fora da Europa”, referindo-se aos acionistas da Moeve: Mubadala, fundo de Abu Dhabi, e Carlyle, fundo americano. “Podemos ter um poder reforçado neste diálogo”.

“Estamos a trabalhar com os nossos juristas, com vários gabinetes, coordenados com o ministro das Finanças para ver quais são as possibilidades”, acrescentou na audição.

A ministra deixou elogios à Galp pelo seu comportamento durante a crise energética provocada pela guerra no Médio Oriente, especialmente ao risco de escassez de jet fuel.

Sobre o calendário da operação, disse que, segundo informações dadas pela Galp: “o calendário inicial era fim de julho de 2026, mas vejo dificuldade que seja efetivado porque há várias coisas a decidir, é a informação que temos”.

Negócio da refinaria de Sines “coloca em causa soberania energética nacional”

A passagem da refinaria de Sines para uma sociedade controlada maioritariamente pelos espanhóis da Moeve está a ser fortemente criticada pela Comissão de Trabalhadores (CCT) da Galp.

“A posição da CCT mantém-se inequívoca: o negócio Galp/Moeve coloca em causa a soberania energética nacional, a continuidade da Refinaria de Sines e os postos de trabalho de quem nela trabalha”, segundo comunicado divulgado esta quarta-feira, dia em que a ministra Maria da Graça Carvalho vai ao Parlamento responder a questões dos deputados sobre esta operação.

“Desde o início que a CCT alertou para as consequências desta operação, elaborou documentos fundamentados e remeteu-os ao Primeiro-Ministro e à Sra. Ministra do Ambiente e Energia. A resposta foi nenhuma. O silêncio do Governo foi sempre a resposta. E continua a sê-lo, agora disfarçado de anúncio”, em referência à criação do fundo soberano nacional.

“As declarações da Sra. Ministra do Ambiente e Energia (…) vieram fornecer o enquadramento que faltava a este anúncio, apresentando o fundo soberano como uma resposta tranquilizadora para as preocupações legítimas em torno do negócio Galp/Moeve. Não é. (…) O que agora se acrescenta é apenas mais uma camada de comunicação sobre um negócio que o Governo não quer verdadeiramente discutir”, segundo a CCT.

Os trabalhadores da Galp recordam que a operação prevê que a “Refinaria de Sines seja integrada, juntamente com as refinarias da Moeve em Espanha, numa terceira sociedade, a IndustrialCo, na qual a Galp deterá uma participação de cerca de 20%. Isto significa que o controlo direto da Refinaria de Sines deixa de estar nas mãos da Galp, sem qualquer garantia sobre o modelo de gestão, as opções estratégicas ou o futuro do emprego em Sines”.

E isto, “num momento em que a situação internacional torna ainda mais evidente o valor estratégico das refinarias, alienar o controlo da Refinaria de Sines é um erro que não se corrige com fundos soberanos sem regras. Os ataques a refinarias no médio oriente, na Ucrânia e na Rússia não deixam margem para dúvidas sobre o que representa perder a capacidade de produção nacional de combustíveis. Portugal não pode dar-se a esse luxo”.

“A Refinaria de Sines é soberania energética, mas é também emprego. São trabalhadores com famílias e projetos de vida, é uma cadeia de valor que sustenta comunidades inteiras e é um ativo que o país levou décadas a construir. Nenhum destes pilares é garantido pela estrutura que este negócio cria. A IndustrialCo com 20% da Galp não é uma garantia. É uma miragem. A CCT não se deixa iludir e continuará a exigir respostas concretas sobre o futuro da Refinaria de
Sines, a garantia efetiva dos postos de trabalho de todos os trabalhadores e a soberania energética do nosso país. Esta posição não muda com anúncios. Não muda com silêncios. Não muda”, conclui a CT da Galp.

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