O primeiro modelo de linguagem (LLM) aberto desenvolvido em português europeu – AMALIA – foi apresentado esta quarta-feira, e, segundo o Governo, representa um investimento que habilita Portugal a enfrentar as próximas décadas com “maior autonomia, soberania e menos dependência”, afirmou Luís Montenegro.
O projeto contou com 5,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), aos quais será acrescentado um investimento adicional de 1,5 milhões de euros para evolução do modelo e infraestrutura soberana numa segunda fase até 2027.
Na apresentação do projeto, o primeiro-ministro saudou o “espírito e cooperação” durante o processo de 18 meses no qual estiveram envolvidos 60 investigadores de diferentes universidades públicas e centros de investigação. Desta forma, Portugal reduz a dependência de plataformas desenvolvidas fora da Europa.
“Neste ecossistema de desenvolvimento nacional podemos reduzir custos de contexto e obstáculos da vida das pessoas e das empresas, da administração e serviços públicos”, notou, destacando que o modelo “integra a IA em português de Portugal com transparência, com fidedignidade e com autonomia” de forma a “promover a preservação dos dados que recolhemos, que tratamos e que têm, em muitas circunstâncias, um especial grau de sensibilidade”.
Segundo o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, o Amália “representa uma escolha estratégica: investir na soberania digital, fortalecer a nossa capacidade científica e criar as condições para que o Estado, as empresas e a academia desenvolvam inteligência artificial em português, ao serviço das pessoas e da economia”. “É um investimento na autonomia tecnológica do país e na competitividade das próximas décadas”.
O modelo é disponibilizado em código aberto, permitindo que Administração Pública, empresas, universidades, centros de investigação e cidadãos possam desenvolver aplicações de IA adaptadas à língua, ao contexto jurídico e à realidade portuguesa.
“Ao contrário dos modelos fechados, o AMALIA poderá ser auditado, adaptado e executado em infraestruturas soberanas, permitindo maior controlo sobre os dados, transparência tecnológica e alinhamento com os princípios europeus de proteção de dados e IA de confiança”, explica o Governo.