Governo justifica subida da dívida pública com depósitos e mantém previsão

O Governo justificou esta segunda-feira a subida da dívida pública para 92,9% do PIB com a acumulação de depósitos devido ao plano de amortizações, mantendo confiança na previsão de redução do rácio em 2026 para 87,5% do PIB.

Governo justifica subida da dívida pública com depósitos e mantém previsão
O ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, durante a sessão de formação para gestores público, que decorreu no Ministério das Finanças, em Lisboa, 15 de maio de 2026. ANTÓNIO COTRIM/LUSA

O Governo justificou esta segunda-feira a subida da dívida pública para 92,9% do PIB com a acumulação de depósitos devido ao plano de amortizações, mantendo confiança na previsão de redução do rácio em 2026 para 87,5% do PIB.

O Banco de Portugal divulgou dados que indicam que a dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou para 92,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, totalizando 293,9 mil milhões de euros.

Em comunicado enviado após a publicação destes dados, o Ministério das Finanças destacou que “deduzindo os depósitos das Administrações Públicas, a dívida pública reduziu-se 1,3 mil milhões para 262,5 mil milhões de euros, correspondendo a cerca de 83% do PIB”.

“A análise da evolução da dívida pública, neste período, implica compreender que foi acumulado um largo montante de depósitos das Administrações Públicas, necessário ao cumprimento do plano de amortizações do país”, salientou o Ministério liderado por Joaquim Miranda Sarmento.

Os números mostram ainda “um aumento de 5,2 mil milhões de euros, em concreto uma subida de 500 milhões das responsabilidades em depósitos, sobretudo em Certificados de Aforro (600 milhões de euros), e dos títulos de dívida (4,7 mil milhões de euros), principalmente de longo prazo”.

As Finanças recordaram também que em julho, Portugal reembolsou quase 10 mil milhões de euros de uma linha de Obrigações de Tesouro que vencia esse mês.

Neste cenário, o executivo continua confiante de que no final de 2026 se irá verificar uma redução da dívida pública para 87,5% do PIB, mantendo a previsão inscrita no relatório anual de progresso enviado a Bruxelas em abril.

Em 2025, o rácio da dívida fixou-se em 89,7% do PIB, um valor abaixo dos 90% pela primeira vez em 16 anos.

Relacionado

Economistas desvalorizam risco de crise apesar da escalada das yields da dívida soberana a nível mundial

Economistas desvalorizam risco de crise apesar da escalada das yields da dívida soberana a nível mundial

Maria Teixeira Alves4 Set
As yields da dívida soberana de longo prazo têm vindo a subir de forma sincronizada nas principais economias desenvolvidas, com os Estados Unidos, o Japão e vários países europeus a registarem níveis não vistos em décadas. Mas os economistas ouvidos pelo Jornal Económico consideram pouco provável que a tendência desemboque numa crise, apontando antes para efeitos mais concentrados no investimento empresarial e nas contas públicas de cada país.
Yields disparam com obrigações soberanas sob pressão a nível global

Yields disparam com obrigações soberanas sob pressão a nível global

João Barros1 Set
No Japão, os títulos a dez anos bateram máximos de 30 anos ao ultrapassarem os 3%, enquanto nos EUA, Reino Unido, Alemanha e França as subidas foram mais contidas, mas suficientes para renovar máximos recentes. Também os títulos portugueses se veem envolvidos na tempestade global das bonds, com os títulos a 20 anos próximos de máximos de quase uma década.