Governo com poder para aprovar diretamente projetos de energias renováveis

Novo mecanismo permite aprovar diretamente projetos ultrapassando as decisões das entidades de licenciamento, como municípios, Agência Portuguesa do Ambiente ou Instituto de Conservação da Natureza e Florestas. Promotores têm vindo a criticar tempos de aprovação de centrais. Objetivo é acelerar conclusão de projetos para cumprir metas. Governo diz que vai respeitar entidades, mas promete usar mecanismo "em casos devidamente justificados".

Governo com poder para aprovar diretamente projetos de energias renováveis
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O Governo vai ter poderes para aprovar diretamente projetos de energias renováveis. Mesmo que sejam chumbados pelas autoridades ambientais e de licenciamento. O objetivo é acelerar a conclusão de centrais solares ou outro tipo de projetos, num momento em que os atrasos no licenciamento continuam a ser bastante criticados pelas empresas e em que as metas do Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030) ameaçam não ser cumpridas.

O mecanismo tem o nome de “superior interesse público” e vai permitir aprovar diretamente projetos de energias renováveis, ultrapassando as entidades de licenciamento, como a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), ou municípios.

Os promotores esperam que este mecanismo permita acelerar o desenvolvimento de projetos em Portugal, num momento em que muitos projetos continuam sem sair do papel, com o licenciamento a ser apenas uma de muitas causas, juntando à falta de apetite para financiar estes projetos, perante a falta de receitas previsíveis com os preços no mercado a não compensarem investimentos avultados.

Resta saber qual a reação das autarquias, entidades públicas, e populações perante a aplicação deste mecanismo, que tem vindo a ser exigido pelos promotores.

O mecanismo de aprovação pode aplicar-se ao “planeamento, construção e exploração dos centros electroprodutores de fonte renovável e/ou de instalações de armazenamento”.

“Como é óbvio, a nossa prioridade será sempre que os processos sejam desenvolvidos com todas as entidades com competência nesta matéria. Mas, no limite, irá existir esta possibilidade, e não abdicaremos de a utilizar em casos devidamente justificados”, garantiu esta sexta-feira a ministra do Ambiente e da Energia Maria da Graça Carvalho numa conferência organizada pelo “Eco”. A sua tutela vai ficar responsável pela aplicação do mecanismo.

Este diploma, que é a transposição de uma diretiva europeia foi aprovada pelo Governo em março e aguarda a promulgação pelo Presidente da República António José Seguro.

O que permite fazer o mecanismo? “Esta consagração legal permite às autoridades públicas priorizar projetos estratégicos de energia renovável face a restrições ambientais específicas, como a proteção de habitats de aves, linhas de água ou zonas da Rede Natura 2000”, escreveu em julho de 2025 no “Expresso” o ex-presidente da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), Pedro Amaral Jorge.

A ministra do Ambiente também anunciou que a 29 de junho será anunciado o “modelo do leilão competitivo para 750 MVA de capacidade em baterias, que incluirá capacidade adicional de geração renovável já disponível no sistema – os detalhes, incluindo o procedimento, o cronograma e as localizações dos pontos de ligação, serão anunciados nesse dia”.

Maria da Graça Carvalho também adiantou que a REN já apresentou ao Governo a necessidade de investir 400 milhões de euros para reforçar a rede, para “dar resposta” às manifestações de interesse que atingem 4,6 GVA , de empresas que procuram ligação à rede elétrica, tendo o Governo já declarado todo o país como zona de grande procura.

Por outro lado, prepara um regime de contratos por diferença (CfD), um “mecanismo de contratação de médio e longo prazo” para dar “maior previsibilidade de preços, estabilidade de receitas e robustez do sistema elétrico, salvaguardando simultaneamente o adequado funcionamento do mercado”.

“Estes mecanismos serão particularmente relevantes para tecnologias que impliquem maior risco e investimento, como é o caso do eólico. Mais especificamente será possível fazer o upgrade de projetos eólicos já existentes, tendo em vista um significativo aumento da sua capacidade de produção e um aumento de eficiência. Por outras palavras, pretendemos aumentar produção eólica aproveitando os projetos já em funcionamento, o que será essencial para que possamos cumprir as metas do PNEC 2030 nesta matéria”, segundo a ministra.

O executivo também pretende apostar mais no armazenamento através de bombagem hidroelétrica. “Temos uma longa tradição neste setor. O país possui já mais de 3,6 GW de capacidade instalada em centrais hidroelétricas reversíveis”.

“Devemos aproveitar este legado para expandir o armazenamento hidroelétrico por bombagem, proporcionando armazenamento em grande escala e de longa duração, essencial para equilibrar com produção eólica e solar”, defendeu a ministra.

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Maria da Graça Carvalho, que além da pasta do Ambiente tem a seu cargo também a da Energia, fez o anúncio em Faro, onde participou nas cerimónias do 50.º aniversário da Associação da Ilha do Farol de Santa Maria, e adiantou que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) vai avançar com um concurso para estudar a solução técnica e a localização da futura unidade em 15 de outubro.