Gonçalo M. Tavares imaginou e Victor Hugo Pontes põe em cena

Em “Os três irmãos” a morte e a perda são omnipresentes. Três irmãos perdem-se e reencontram-se depois da perda dos pais. Um espetáculo poderoso que junta as palavras de Gonçalo M. Tavares e a fisicalidade da performance criada por Victor Hugo Pontes. Em cena em Almada a 25 de fevereiro.

Gonçalo M. Tavares imaginou e Victor Hugo Pontes põe em cena
© Nome Próprio

“Olá, olá. Tenho um problema grave.

Perdi o meu pai…

Sabem onde está?”

Dinis Duarte, Paulo Mota e Valter Fernandes vestem a pele de Abelard, Adler e Hadrian, “Os três irmãos” imaginados pelo escritor Gonçalo M. Tavares e que Victor Hugo Pontes leva à cena no Teatro Municipal Joaquim Benite, em ALmada, no sábado, dia 25 de fevereiro.

Entre círculos, quadrados e dor, os três irmãos tentam concretizar a sua ligação à terra e sobreviver à existência uns dos outros, mesmo que esta tenha sido perfurada a berbequim, enrodilhada numa trouxa de roupa e transportada num carrinho de mão. Antes disso, encontram-se num não-lugar, marcam a giz a ausência dos pais, lavam-se, comem juntos à mesa, carregam-se aos ombros, sofrem, angustiam, vivem em fuga na busca de encontros com o passado.

A companhia de dança contemporânea Nome Próprio dá corpo à encenação de Victor Hugo Pontes, cujo trabalho prima muitas vezes pela ausência de palavras. Prevalecem os movimentos, embora use “muitas vezes as palavras como ponto de partida, como meio, e até como fim. Acabo quase sempre por retirá-las da boca dos intérpretes, ou por calar os autores”, explica. Desconcertante? Nada disso. Até porque não há universos ou processos fechados. Tudo é mutável. E “desta vez não foi assim”, refere Victor Hugo Pontes. “As palavras do Gonçalo M. Tavares estão presentes em «Os três irmãos». São o motor da acção e surgem no espectáculo para serem lidas, e não ditas. A força da sua presença é por isso diferente – são palavras que não se ouvem, mas que conduzem o espectador”.

Com música original da conhecida dupla Joana Gama e Luís Fernandes, este texto de Gonçalo M. Tavares propõe-se fintar o passado abraçando-o.

 

 

O que andou para aqui chegar…

Com formação em artes plásticas, teatro e coreografia, Victor Hugo Pontes é um criador que não se deixa limitar por formatos, e que explora constantemente as ligações entre o movimento e a palavra. Em 2004, fez o curso de Encenação de Teatro na Fundação Calouste Gulbenkian, dirigido pela companhia inglesa Third Angel, e, em 2006, o curso do Projet Thierry Salmon – La Nouvelle École des Maîtres, dirigido por Pippo Delbono, na Bélgica e em Itália.

Em 2005, representou Portugal nos Repérages – Rencontres Internationales de la Jeune Choréographie, em Lille. Em 2008, representou Portugal na Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo, em Bari, Itália. Sem cair numa longa enumeração, pois já são muitos os trabalhos apresentados e remiados, destaque para “A Ballet Story”, nomeado em 2013 para os Prémios SPA na categoria de Dança – Melhor Coreografia, e para o espetáculo “Margem”, com o qual arrebatou, em 2019, o Prémio SPA na mesma categoria.

Colaborou com Beatriz Batarda e Marco Martins, Jorge Andrade, Joana Craveiro, Inês Barahona e Miguel Fragata, entre outros. É, desde 2009, o Diretor Artístico da Nome Próprio – Associação Cultural e leciona na Universidade do Minho no curso de Teatro.

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