A invasão da Ucrânia pela Rússia e o potencial de redução do apoio militar dos Estados Unidos – que assim parece ter deixado de ser um segredo mal guardado – levou a norte-americana Goldman Sachs a produzir um research, na qualconclui que os decisores políticos europeus estão finalmente convencidos de que “a coordenação militar precisa de ser aumentada e os gastos com defesa devem” seguir o mesmo caminho. Embora as despesas anuais com a defesa, em 18 países da União Europeia, estivessem “abaixo do limiar mínimo da NATO (2% do PIB) em 2023, as despesas aumentaram em termos reais durante a última década, especialmente na Europa Oriental”.
As despesas com a defesa “continuam a ser de capital intensivo, embora existam variações entre países. Os EUA atribuem menos de 30% do total da despesa com os recursos humanos (soldados), a França e a Alemanha atribuem cerca de 35-40%, e a Itália e Espanha ultrapassam os 50%”. O impacto dos gastos militares sobre a atividade económica “depende da forma como essas despesas são distribuídas entre equipamentos/infraestrutura e pessoal”, refere a consultora. Maior apoio deverá resultar na expansão do componente de capital intensivo das forças armadas.
A maior parte do potencial financiamento da UE, atualmente disponível para despesas com a defesa, “é a capacidade financeira disponível no Fundo Europeu de Recuperação” – o PRR, no caso português. “Consideramos dois cenários principais em que os gastos militares aumentam e encontram um efeito positivo no impulso do crescimento do PIB europeu em ambos, de cerca de 0,2 pontos percentuais (pp). O impacto destas despesas mais importante a longo prazo irá provavelmente surge da concentração de investigação e desenvolvimento (I&D) privada, uma vez iniciada a I&D militar. Embora lento, o impacto na inovação é persistente”.
Para o banco norte-americano, “após as eleições na UE de 6 a 9 de junho, as despesas com a defesa serão provavelmente o principal foco e a primeira tarefa para a nova Comissão da UE ainda este ano. Cerca de 78% das aquisições de defesa anunciadas pelos países da UE, entre o início da invasão da Rússia e junho de 2023, teve origem fora da UE. Só os Estados Unidos representam 63% destas aquisições. Ao mesmo tempo, a recente proposta da Estratégia Industrial Europeia de Defesa (EDIS) identifica mais colaboração e localização pelos países da UE como prioridades. As metas incluem um mínimo de 50% de aquisições dos Estados-membros”. Mas, como recorda a organização, “o impacto dos gastos militares no crescimento leva tempo. A despesa militar tem um impacto na atividade económica que provavelmente se estenderá por vários anos, pelo que precisamos de ter em consideração estes efeitos plurianuais”.