Futebol feminino pode gerar mil milhões em patrocínios

Com esta modalidade a crescer em popularidade no mundo inteiro, a consultora Brand Finance acredita que o valor dos patrocínios irá disparar. No mundial do passado domingo, que terminou com a vitória dos EUA, também estiveram presentes na competição empresas de vários setores: telecomunicações, finanças, banca, energia, automóvel ou desporto.

Futebol feminino pode gerar mil milhões em patrocínios
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O valor potencial do patrocínio no futebol feminino está avaliado em cerca de mil milhões de euros, segundo a Brand Finance Football Annual 2019, consultora independente de avaliação de marcas. A análise divulgada esta semana tem em conta as diferenças e as audiências televisivas entre homens e mulheres no Mundial de Futebol, os prémios em dinheiro e os valores dos patrocinios.

De acordo com o relatório, os clubes poderiam utilizar os patrocínios de forma mais eficaz. A prática de juntar o valor distribuído pelas marcas num único pacote para a equipa masculina e feminina é uma das principais causas de perda de receita para os detentores de direitos e de perda de marketing para as marcas corporativos.

Com o futebol feminino a crescer em popularidade, o desporto beneficiaria bastante se separasse estes acordos e convidasse uma maior variedade de marcas para patrocinar o jogo. A Brand Finance espera que – com base no sucesso do Mundial de Futebol, que registou números recordes de audiência – as ligas e os clubes femininos em todo o mundo encontrem a melhor maneira de aproveitar o valor estimado de 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros) que poderão estar em cima da mesa.

Para o CEO da Brand Finance, David Haigh, “os acordos recentes, incluindo o contrato de sete anos da Visa com a UEFA e o apoio da Lucozade à seleção inglesa são passos na direção certa para aumentar a popularidade do desporto”. “Sem dúvida veremos uma mudança mais permanente na dinâmica dos negócios, bem como na dinâmica social do futebol”, acrescentou.

Já Bryn Anderson, diretor de avaliação desportiva da consultora, comentou: “Como as marcas corporativas dão os primeiros passos no patrocínio do futebol feminino, a necessidade de avaliação e retorno sobre o investimento nunca foi maior. É importante para as marcas monitorizar a eficácia dos patrocínios para uma visão estratégica num mercado relativamente novo e excitante”.

A seleção dos Estados Unidos conquistou no domingo passado o quarto título de campeã mundial de futebol feminino, ao vencer na final a Holanda, campeã europeia em título, por 2-0, em jogo disputado em Lyon. Após uma primeira parte sem golos, os Estados Unidos abriram o marcador no segundo tempo, aos 61 minutos, através da transformação de uma grande penalidade pela capitã Megan Rapinoe. Oito minutos depois, numa jogada individual, Lavelle fez o segundo golo, com um remate forte à entrada da área.

Os principais patrocinadores
A Visa tornou-se o primeiro patrocinador único do futebol feminino da UEFA. Com esta parceria, que decorre até 2025, a instituição financeira vai apoiar a modalidade desde as bases até à Liga dos Campeões de Futebol Feminino da UEFA. O acordo vai permitir à empresa tornar-se, até 2025, o patrocinador principal da Liga dos Campeões de Futebol Feminino da UEFA, do Campeonato Europeu de Futebol Feminino, dos Campeonatos Europeus de Futebol Feminino Sub-19 e Sub-17 e do Campeonato da Europa de Futsal Feminino da UEFA. A Visa vai também apoiar a plataforma de marketing de futebol da UEFA, Together #WePlayStrong, que visa fazer com que mais mulheres e raparigas descubram a modalidade. A iniciativa de revolucionar o modelo tradicional de patrocínio desportivo foi levada a cabo pela UEFA para continuar a acelerar o crescimento do futebol feminino na Europa e criar mais oportunidades comerciais para desenvolver o desporto.

Em Portugal, a liga feminina é patrocinada pelo BPI e composta por 12 equipas. O campeão em título é o Sporting de Braga, enquanto o Sporting ganhou os dois troféus anteriores. Já o Benfica conquistou este ano a primeira Taça de Portugal e subiu à primeira divisão. Por cá, o cenário é semelhante ao que se passa a nível internacional: aumento do número de praticantes, competitividade dos campeonatos e mediatização garantida com mais transmissões televisivas.

Este Mundial contou com seis patrocinadores exclusivos: Orange (telecomunicações), Arkema (grupo industrial), EDF (energética), Proman (recrutamento), Crédit Agricole (banca) e a SNCF (mobilidade). Já a Adidas, Coca-Cola, Hyundai-Kia, Qatar Airways, Visa e o conglomerado chinês Wanda eram parceiras fixas da competição.

Os tempos mudaram. Como recompensa pela conquista de vários títulos, a seleção da Alemanha de futebol feminino recebeu em 1989 um conjunto de chá. Hoje em dia, os prémios são completamente diferentes. Nesta edição do Mundial, a FIFA aumentou os valores face à edição anterior: 3,5 milhões de euros para o vencedor e um montante global de 26,6 milhões a distribuir pelas equipas participantes.

Nike aumentou vendas de camisolas
A euforia em torno do Mundial de Futebol Feminino levou a uma venda recorde de camisolas da seleção dos EUA. Ao assegurar o seu lugar na final do torneio, que decorreu a 7 de julho, o sucesso da equipa norte-americana alimentou o aumento das vendas, com a Nike.com a registar números que ultrapassaram grandes clubes como o Barcelona ou o Paris Saint-Germain. Com base nestes resultados, Mark Parker, chefe executivo da Nike, diz que “a camisola principal da equipa feminina dos EUA é agora a camisola de futebol mais vendida de sempre, tanto de equipas masculinas e femininas, na Nike.com numa única temporada”. Tal como a seleção americana, quase dois terços das 24 equipas que disputaram o título mundial usaram equipamentos da Nike, tendo também metade das jogadoras usado chuteiras da marca.

Apesar da vitória, as campeãs do mundo não irão à Casa Branca caso sejam convidadas, disse a capitã Megan Rapinoe, em entrevista à CNN. “Eu não irei. E creio que as restantes jogadoras com que falei explicitamente sobre isso também não”, referiu a autora do primeiro golo na final. Segundo a avançada dos Seattle Reign, a ida à residência presidencial seria uma oportunidade para a administração Trump “exibir” a seleção, que assegurou o quarto título mundial para os Estados Unidos, sendo o segundo consecutivo.

“Acho que não faz sentido para nós. Não consigo imaginar que alguma das minhas colegas de equipa queira estar nesta situação”, acrescentou a melhor jogadora e melhor marcadora do Mundial.

 

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