Fusões bancárias na UE: OPA falhada do BBVA sobre Sabadell demonstra obstáculos

"Consideramos esta transação falhada como um exemplo dos desafios enfrentados pelos bancos europeus que tentam realizar a consolidação bancária, tanto no mercado interno como internacional", diz a DBRS. A consolidação bancária europeia transfronteiriça continua a ser desafiante, apesar dos apelos do BCE, acrescenta.

Fusões bancárias na UE: OPA falhada do BBVA sobre Sabadell demonstra obstáculos
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“A tentativa falhada de aquisição do Sabadell pelo BBVA realça os obstáculos da fusão bancária na Europa” é o título de uma nota da Morningstar DBRS emitida esta segunda-feira.

A agência de rating realça que a OPA mal sucedida do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) sobre o Sabadell destaca os obstáculos às fusões bancárias na Europa. Recorde-se que o banco basco não atingiu o nível mínimo de 30% que tinha estabelecido na oferta para prosseguir a operação. Só conseguiu a adesão de 25,47% do capital do Sabadell, pondo fim a uma das principais incertezas enfrentadas pelo setor bancário espanhol nos últimos dezoito meses.

A DBRS considera esta transação falhada como um exemplo dos desafios enfrentados pelos bancos europeus que tentam realizar a consolidação bancária, tanto no mercado interno como internacional.

“A transação falhada realça os desafios enfrentados pelos bancos europeus na consolidação bancária”, diz a DBRS que acrescenta que “a consolidação interna pode enfrentar desafios devido à interferência política, enquanto as fusões internacionais continuam a ser desafiantes devido a obstáculos regulamentares”.

O presidente do Banco Sabadell, Josep Oliu, chegou mesmo a reconhecer o interesse do Governo espanhol pelo fracasso da OPA hostil do BBVA. “A única coisa que [o Governo] nos pediu foi que fizéssemos milagres para que a OPA não fosse adiante. Já o fizemos“, afirmou, numa entrevista ao La Vanguardia.

“Tem havido um esforço significativo por parte dos reguladores para promover as fusões entre os bancos europeus, mas as barreiras mantêm-se, dificultando este processo – especialmente para os bancos de maior dimensão”, afirmou Maria Rivas, Vice-Presidente Sénior e Líder Setorial de Ratings das Instituições Financeiras Europeias da Morningstar DBRS.

“Isto deve-se em grande parte à falta de progressos no esclarecimento dos requisitos para as fusões bancárias e à conclusão pendente de aspetos-chave da União Bancária Europeia, bem como, em alguns casos, à oposição política interna”, acrescenta.

“Um dos outros desafios recentemente demonstrados no caso BBVA-Sabadell foi a oposição política interna, que incluiu a imposição de condições mais rigorosas para a fusão”, refere a agência de rating.

A DBRS defende que “o recente reforço das posições de capital dos bancos europeus pode ser um incentivo para os adquirentes e alimentar o seu apetite por fusões, e acreditamos que os bancos europeus estão agora numa posição significativamente mais forte para lidar com os custos da consolidação bancária, dada a sua melhor geração de lucros e perfil de risco”.

No entanto, acrescenta, “o caso BBVA-Sabadell também demonstra que a posição independente muito melhorada dos bancos europeus torna menos atrativo para os acionistas dos bancos visados ​​aceitar ofertas de aquisição hostis”.

A agência não deixa de destacar que apesar de a decisão de apoiar uma OPA caber, em última análise, aos acionistas, é “útil destacar os obstáculos que os bancos enfrentam, especialmente a nível nacional, que podem prolongar o processo e aumentar os custos para ambas as partes da transação”.

“No caso do BBVA-Sabadell, o governo espanhol introduziu condições punitivas, como a exigência de que as entidades jurídicas separadas sejam mantidas durante pelo menos três anos, prorrogável até cinco anos, após o encerramento da transação, o que reduziu significativamente as potenciais sinergias de custos da transação”, lembra a DBRS.

Entretanto, a oposição política à consolidação bancária surgiu também em Itália e na Alemanha. Em julho, o UniCredit SpA retirou a sua oferta pelo seu rival bancário, o Banco BPM Group, em Itália, devido à incerteza criada pelo exercício das regras do “poder de ouro” do governo, um processo que permite ao governo italiano bloquear ou impor condições para aquisições em setores estratégicos, como o bancário.

Já na Alemanha, o UniCredit Bank GmbH (UniCredit), que se tornou o maior acionista do Commerzbank Group (Commerzbank), com uma participação de quase 30%, enfrentou uma forte oposição do governo alemão e da administração do Commerzbank. Embora o CEO do UniCredit tenha dito que pode esperar até 2027 antes de decidir sobre uma potencial aquisição do Commerzbank, o Ministro das Finanças alemão afirmou que o governo espera que o UniCredit abandone os seus planos de aquisição.

A consolidação bancária europeia transfronteiriça continua a ser desafiante, apesar dos apelos do Banco Central Europeu.

“Os benefícios são mais claros em termos de custos e receitas para as atividades bancárias de retalho e comerciais, e isto é mais fácil a nível nacional do que a nível internacional. No entanto, tal não afectará o objectivo aparente de criar um campeão europeu capaz de competir com os maiores bancos americanos com posições dominantes nas actividades do mercado de capitais. Mesmo com mais consolidação, seria difícil criar um banco com escala suficiente para competir com os grandes bancos americanos em renda fixa e originação de ações, bem como em vendas e negociação, e isto torna as fusões internacionais europeias não retalhistas menos interessantes do ponto de vista comercial”, lê-se na nota.

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