A DBRS avalia hoje a dívida soberana de Portugal, pela segunda vez este ano. A agência de notação financeira DBRS não deverá fazer alterações na classificação da dívida soberana de Portugal, segundo os analistas que antecipam uma manutenção do rating em ‘A’ (elevado), enquanto admitem que a perspetiva poderá melhorar.
Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, não antecipa uma alteração do ‘rating’, nomeadamente tendo em conta que o contexto geopolítico atual continua a ser um desafio.
Filipe Silva, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa, diz ao Jornal Económico que “não antecipo uma alteração do rating de Portugal nesta revisão”.
“O contexto geopolítico atual continua a ser um desafio. O conflito com o Irão introduziu uma nova camada de incerteza sobre os mercados energéticos e as cadeias de abastecimento globais, com reflexos diretos nas expectativas de inflação. Os números da inflação têm vindo a ser revistos em alta, o que altera as previsões dos bancos centrais: após um ciclo de descida de taxas, o posicionamento está a mudar, e os mercados já incorporam subidas num horizonte próximo. Este é um risco relevante para o crescimento. Um ambiente de taxas mais elevadas durante mais tempo tende a comprimir o investimento e o consumo privado, e penaliza de forma desproporcionada as economias, tanto no sector público como nas famílias e Portugal não é imune a esta dinâmica”, defende Filipe Silva.
Quanto às perspetivas, e apesar dos ventos contrários associados ao contexto geopolítico, Filipe Silva diz que “poderemos assistir a uma surpresa positiva e a uma mudança favorável. Portugal apresentou um excedente orçamental em 2025 e continua a registar uma redução do rácio da dívida pública, tendência que é também sustentada pela projeção de descida para este ano apresentada pelo Conselho das Finanças Públicas. Resta perceber em que medida o conflito atual e a inflação poderão impactar negativamente o crescimento económico em Portugal”.
Já Vítor Madeira, analista de mercados da XTB Portugal, ouvido pela Lusa, apontou que “não é esperada qualquer alteração face à avaliação de janeiro, perspetivando-se a manutenção do ‘rating’ no patamar ‘A’ (elevado)”.
“O panorama macroeconómico atual permanece muito alinhado com o do início do ano, sem surpresas drásticas que justifiquem uma subida ou descida imediata da nota”, detalhou, pelo que a manutenção deste rating “vem salientar o estatuto consolidado de Portugal enquanto país credível a nível europeu, um facto materializado na capacidade do país em se financiar nos mercados a custos inferiores aos de economias principais como França, Espanha e Itália”.
Já a subida pontual do rácio da dívida em função do PIB para os 91% no primeiro trimestre “exige da agência de ‘rating’ uma postura de monitorização”.
A DBRS agendou três avaliações à divida do Estado português em 2026. A primeira foi a 16 de janeiro, a segunda é hoje 15 de maio, e a última está agendada para 13 de novembro.