Fed e BCE empurram Wall Street para perdas assinaláveis

A subida de juros e, sobretudo, os discursos dos líderes dos bancos centrais europeu e norte-americano geraram tensão nos mercados, que vão assimilando a ideia de um processo de normalização monetária mais demorado do que o inicialmente previsto.

Fed e BCE empurram Wall Street para perdas assinaláveis
Wall Street (1)

Wall Street arrancou a sessão de quinta-feira com fortes perdas, com os mercados abalados pelos tons marcadamente agressivos das conferências de imprensa da Reserva Federal, na quarta-feira, e do Banco Central Europeu (BCE), na quinta-feira.

O Dow Jones perdeu mais de 600 pontos a abrir a sessão, recuando 1,98% para os 33.294,72, enquanto o S&P 500 saiu ainda mais penalizado, perdendo 2,1% para os 3.911,54 pontos. Já o Nasdaq desvalorizava 2,52%, recuando para os 10.890,25 pontos.

O dia ficou marcad0o pelas declarações de Jerome Powell, presidente da Fed, no dia anterior, em que vincou a necessidade de manter o processo de normalização monetária. Simultaneamente, a autoridade monetária reviu em baixa as previsões para o crescimento no próximo ano, ao passo que a inflação é vista como chegando mais alto em 2022 e 2023 do que estimado em setembro.

Já durante o dia de quinta-feira, o BCE transmitiu semelhante ideia com um comunicado marcadamente hawkish, isto apesar de a subida anunciada ter sido de apenas 50 pontos base (p.b.), ou seja, abaixo dos 75 p.b. de anteriores reuniões.

Ao mesmo tempo, os dados quanto ao retalho desiludiram e deixam antever quebras no consumo privado da maior economia do mundo, isto numa altura em que as festividades costumam dar algum impulso ao sector.

Relacionado

Economistas desvalorizam risco de crise apesar da escalada das yields da dívida soberana a nível mundial

Economistas desvalorizam risco de crise apesar da escalada das yields da dívida soberana a nível mundial

Maria Teixeira Alves4 Set
As yields da dívida soberana de longo prazo têm vindo a subir de forma sincronizada nas principais economias desenvolvidas, com os Estados Unidos, o Japão e vários países europeus a registarem níveis não vistos em décadas. Mas os economistas ouvidos pelo Jornal Económico consideram pouco provável que a tendência desemboque numa crise, apontando antes para efeitos mais concentrados no investimento empresarial e nas contas públicas de cada país.