João Marcelino

FC Porto-Sporting: a gestão

As contrariedades do Sporting foram equivalentes às do FC Porto, ambas as equipas com indisponíveis importantes. Sérgio Conceição não teve Ricardo Pereira, Danilo, Soares e meio Aboubakar. Jorge Jesus não contou com Piccini, Gélson e Bas Dost. A diferença esteve nas alternativas

Há uma outra maneira de olhar para o FC Porto-Sporting: pelo lado da gestão desportiva. E, nessa matéria, o FC Porto esteve melhor do que o Sporting nas duas janelas de mercado, no Verão e durante o mês de janeiro.

Repare-se: Sérgio Conceição não pôde contar com ‘Tiquinho’ Soares (11 golos esta época/8 dos quais na Liga) lesionado e também teve Aboubakar (26/15) sentado no banco, porque ainda está a regressar de um período de inactividade. No entanto, o FC Porto tinha uma alternativa para jogar, e bem, como referência do ataque, ao lado de Marega (21/20): Gonçalo Paciência (10/5, estes pelo V. Setúbal). O FC Porto possui quatro boas alternativas de ataque com homens atleticamente poderosos, acima do 1,83 m, goleadores regulares.
Do lado do Sporting, Jorge Jesus pagou caro a lesão do seu único avançado de categoria: Bas Dost (27/20). Não se compreende, aliás, que a equipa tenha afrontada esta época com tão poucas soluções na frente. Primeiro ponto: Doumbia (8/0) não é alternativa a Dost. As características são outras. Ou seja, quando não tem o titular, o treinador não pode colocar a equipa a jogar da mesma forma. Não é normal! E depois, para piorar, e como Jesus já explicou várias vezes e devagar, para todos o entendermos, Doumbia nem sequer é compatível com o holandês. Assim sendo, e como gosta de jogar em 4x4x2, o Sporting até ao Natal contou para ‘segundo avançado’ com o equívoco Alan Ruiz (que não jogaria em metade das equipas da Liga), mais o complemento Podence, que não marca golos. Depois vieram Rúben Ribeiro, que também não marca, e Montero, que hoje não tem qualquer condição para jogar no Sporting. E, por essa absoluta necessidade, o treinador teve de rever a avaliação de Bryan Ruiz, que é lento, tem qualidade técnica, mas é mais um jogador que não marca golos. Como se sabe, Bruno Fernandes teve de fazer esta posição em grande parte da temporada.

Em resumo: o FC Porto tem quatro poderosos avançados, que somam 68 golos na época/48 na Liga, o Sporting tem um e… Doumbia.
É claro que, a esta hora, Jesus pode presumir de ter ‘inventado’ Rafael Leão, um daqueles jovens que não engana. E, na verdade, Leão pode ser no imediato ‘o outro’ avançado da equipa. Mas, para atacar o título (agora praticamente perdido), desde o início que parecia pouco e arriscado. Confirmou-se.

Outras comparações: FC Porto e Sporting equiparam-se no quadro defensivo, com várias opções. O FC Porto pôde vender Layun, e o Sporting Jonathan Silva. Na zona central cada equipa tem três bons futebolistas. No Dragão chegou já o quarto, o colombiano Osório, jovem e talentoso. Em Alvalade, espera-se pelo brasileiro Marcelo, experiente, mas ainda sem estar concluída (no MP) a investigação à suspeita de alguns resultados do Rio Ave.

Resta acrescentar que, com Corona, Brahimi, Otávio e até Hernâni, os azuis estão bem apetrechados em ambos os flancos. Aí o Sporting tem dois jogadores de enorme categoria, Gélson e Acuna, sobretudo o primeiro, claro, mas depois deles é o deserto. Bruno César pode ‘desenrascar’ um pouco por todo o lado, mas tem tanto de apurado profissional como de jogador limitado. E como desta vez não havia Gélson, o Sporting, que até fez um jogo empenhado e honesto, ficou uma equipa ‘coxa’, refém do talento de Bruno Fernandes. Era pouco.
Para concluir: as contrariedades do Sporting foram equivalentes às do FC Porto. Sérgio Conceição não teve Ricardo Pereira, Alex Telles, Danilo, Soares e meio Aboubakar. Jorge Jesus não contou com Piccini, Gélson e Bas Dost. A diferença esteve na qualidade das alternativas.

Nota – Em relação ao texto inicial acrescentei uma outra falta relevante no FC Porto: o defesa-esquerdo Alex Telles. Nem o facto de ter sido substituído por Dalot, um jovem que brevemente competirá por um posto na melhor seleção portuguesa, à direita, deixa de ser hoje, objetivamente, uma baixa no onze titular do FC Porto.

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