As famílias portuguesas estão a entrar no mercado da habitação com uma postura mais cautelosa. Segundo os dados mais recentes do relatório de março do ComparaJá mostram uma descida no montante médio financiado para 187.890 euros, menos cerca de 9.500 euros do que em março de 2025, quando o valor médio se fixava nos 197.420 euros. Em paralelo, o prazo médio dos contratos recuou de 34 para 32 anos.
A leitura do relatório aponta para uma mudança clara no comportamento de contratação. Depois de um período marcado por forte pressão sobre o custo do crédito, os consumidores parecem estar a ajustar o empréstimo à sua capacidade financeira real, evitando financiamentos demasiado elevados e compromissos excessivamente longos. O mercado está cada vez “mais estratégico” e “menos reativo” do que há um ano.
Também na comparação mensal se nota essa contenção. Face a fevereiro de 2026, o montante médio financiado voltou a recuar, passando de 196.890 euros para 187.890 euros, enquanto o prazo se manteve estável. Ainda assim, no balanço homólogo, o encurtamento da duração dos contratos reforça a ideia de que as famílias estão a privilegiar maior controlo sobre o esforço financeiro associado à compra de casa.
Segundo o relatório, esta evolução reflete precisamente uma maior prudência por parte dos clientes. Num contexto em que o custo do crédito continua elevado, a tendência é reduzir o valor financiado e evitar prazos demasiado longos. Essa opção pode limitar o peso total da dívida ao longo do tempo, embora também revele um mercado em que o acesso ao financiamento continua exigente.
A descida do montante médio e do prazo dos empréstimos sugere, assim, um novo perfil de comprador: menos orientado para maximizar o financiamento disponível e mais focado em encaixar a prestação no orçamento familiar. Num mercado ainda pressionado, a prudência passou a ser um critério central na decisão de contratar crédito habitação.