Economia da China desacelera em maio

A recuperação económica do Império do Meio tem vindo a perder força, com os indicadores do consumo interno e da produção industrial a darem mostras de algum 'cansaço'.

Economia da China desacelera em maio
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A economia da China desacelerou em maio, com a produção industrial e o crescimento das vendas a retalho a ficarem aquém das previsões, aumentando as expectativas dos analistas de que Pequim terá de fazer mais para sustentar uma recuperação pós-pandemia, que ainda se encontra em níveis instáveis.

A recuperação económica exposta pelos indicadores no início deste ano perdeu força no segundo trimestre, levando o banco central da China a cortar esta semana algumas taxas básicas de juros, na expectativa de conseguir relançar o investimento produtivo.

A produção industrial cresceu 3,5% em maio em relação ao ano anterior, informou o Gabinete Nacional de Estatísticas esta quinta-feira, uma expansão mais lenta que os 5,6% de abril e ligeiramente abaixo dos 3,6% esperados por analistas citados pela agência Reuters.

As vendas no retalho – um dos principais indicadores de confiança dos consumidores internos – subiram 12,7%, superando as previsões de crescimento de 12,6% mas desacelerando em relação aos 18,4% registados em abril.

“Todos os dados conhecidos até agora enviam sinais consistentes de que o ímpeto económico chinês está a enfraquecer”, disse Zhiwei Zhang, presidente da Pinpoint Asset Management, citado pela Reuters. E recorda que o comparativo com o ano passado não dá indicadores precisos, uma vez que há um ano a economia estava fechada como resposta a mais uma onda da pandemia.

Face ao conhecido, dizem os analistas, é provável que o governo tenha de reforçar os estímulos à expansão da economia – o que aparentemente já está a fazer ao mexer nas taxas de juro. Mas, do outro lado, dizem os mesmos analistas, a China enfrenta riscos deflacionários. “A procura doméstica insuficiente e o lento aumento da procura externa podem interromper o ímpeto de crescimento, deixando a China numa trajetória de recuperação mais gradual em forma de U [e não em V] na sua trajetória de crescimento mês a mês”, disse Bruce Pang, economista-chefe da Jones Lang LaSalle, igualmente citado pela Reuters.

O banco central da China cortou esta quinta-feira a taxa de juros da sua linha de crédito de médio prazo a um ano, a primeira flexibilização em 10 meses, abrindo caminho para cortes nas taxas básicas de empréstimo de referência na próxima semana. O yuan atingiu novos mínimos a seis meses após o corte dos juros. Do seu lado, os mercados mobiliários subiram, com o índice de referência CSI 300 a ganhar 0,6% e o índice Hang Seng (de Hong Kong) a subir 1,2%, dando força à decisão do governo central.

Seguindo estes indicadores, os maiores bancos do país reduziram recentemente as suas taxas de depósito, para aliviar a pressão sobre as margens de lucro e incentivar o consumo interno.

O investimento imobiliário caiu em maio 21,5%, o ritmo mais rápido desde pelo menos 2001revelando uma “fraqueza persistente”, disseram analistas do Goldman Sachs esta semana. O investimento privado em ativos fixos encolheu 0,1% nos primeiros cinco meses do ano, um forte contraste com o crescimento de 8,4% do investimento estatal, sugerindo fraca confiança empresarial, pelo menos do ponto de vista do ocidente. O desemprego jovem fixou-se num valor recorde de 20,8% – com a taxa de desemprego nos 5,2% em maio.

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