A privatização da Efacec está no centro do debate, com a oposição unida contra este processo dividida entre o pedido de uma comissão parlamentar de inquérito e uma providência cautelar que trave o processo, mesmo que momentaneamente.
A Efacec, empresa que opera nos setores da energia, engenharia e mobilidade, com cerca de dois mil trabalhadores, tinha sido nacionalizada em 2020, ficando o Estado a deter 71,73% da empresa. A nacionalização, apresentada como temporária, ocorreu na sequência do arresto judicial de bens da empresária angolana Isabel dos Santos, que detinha a maioria do capital da Efacec.
Na terça-feira, o ministro da Economia disse que o Estado vai injetar mais 160 milhões de euros na Efacec, enquanto o novo dono, o fundo Mutares, injetará na empresa 15 milhões de euros em capital e 60 milhões de euros em garantias. O Estado já injetou 132 milhões de euros na Efacec, a que se somam mais 85 milhões de euros em garantias.
Líder do PSD admite CPI à Efacec
Em declarações ao Jornal Económico, o presidente do PSD, Luís Montenegro, acusou socialistas de “desbaratarem dinheiro dos contribuintes” e não excluiu inquérito parlamentar à venda Efacec caso não sejam suficientes as explicações do ministro da Economia, cuja audição urgente no Parlamento foi solicitada pelos sociais-democratas.
Chega propõe CPI e tenta suspender venda
“A par da proposta que faremos de uma comissão parlamentar de inquérito à venda da Efacec, tendo sido um negócio que aparenta ter sido absolutamente ruinoso, o Chega decidiu ir um pouco mais longe e avançar com uma providência cautelar no tribunal, na jurisdição administrativa, para suspender este ato e esta venda, até termos toda a informação necessária”, disse André Ventura aos jornalistas na Assembleia da República.
Iniciativa Liberal avança com CPI
Em linha com o Chega, a Iniciativa Liberal optou por avançar com uma comissão parlamentar de inquérito à Efacec. Os liberais pretendem “escrutinar as decisões de gestão tomadas desde a nacionalização e de que forma essas decisões conduziram à queda de receitas, perda de fornecedores e quadros qualificados que ocorreram nesse período”, conforme explicam no documento onde requerem a CPI.
PCP quer aceder a documentos sobre privatização
Na quinta-feira, o PCP entrou com um requerimento de forma a ter acesso a documentos relativos à privatização da Efacec. No documento, os comunistas sublinhavam que “concluir a privatização da EFACEC é abdicar, como no passado, do presente e do futuro da indústria, do aparelho produtivo e da economia nacional”.
BE quer ver negócio esclarecido
“Vamos querer todos os esclarecimentos acerca deste processo”, afirmou a deputada do BE Isabel Pires, acrescentando que “a Efacec é uma empresa estratégica, trabalha numa indústria fundamental na área da transição energética e tem um valor muito importante para a economia portuguesa”.