Do crescimento económico à inflação, Bruxelas tem boas e más notícias para a zona euro

A Comissão Europeia voltou esta quarta-feira a rever em baixa, pela segunda vez consecutiva, a previsão de crescimento económico da zona euro, para 0,6% este ano e 1,2% em 2024, pela perda de dinamismo e elevado custo de vida. No entanto, Bruxelas estima que a inflação tenha atingido o pico.

Do crescimento económico à inflação, Bruxelas tem boas e más notícias para a zona euro
EU Flags Are Lowered At Half Mast In Honor Of The Victims Of The Manchester Attack, Outside The EU Commission Headquarters In Brussels

A Comissão Europeia tem boas e más notícias para a economia da zona euro. As más passam por uma revisão em baixa do crescimento económico tanto para este ano como para 2024. Por outro lado, Bruxelas considera que a inflação já terá atingido o pico e que a tendência passa por uma descida.

A Comissão Europeia voltou esta quarta-feira a rever em baixa, pela segunda vez consecutiva, a previsão de crescimento económico da zona euro, para 0,6% este ano e 1,2% em 2024, pela perda de dinamismo e elevado custo de vida.

A estimativa consta das previsões económicas de outono, hoje divulgadas pelo executivo comunitário, que dão conta de que o Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro e também da União Europeia (UE) só cresce 0,6% este ano, menos do que os 0,8% anteriormente esperados, divulgados no verão.

Para 2024, a projeção da Comissão Europeia é que o PIB avance 1,2% na zona euro e 1,3% na UE, o que compara com as estimativas de 1,3% e de 1,4%, também publicadas no verão.

Em 2025, haverá uma melhoria, com as economias da zona euro e da UE a crescer, respetivamente, 1,6% e 1,7%.

“Após uma forte expansão pós-pandemia em 2021 e 2022, a economia da UE perdeu dinamismo [já que] o PIB real registou uma contração muito ligeira no quarto trimestre de 2022 e quase não cresceu nos primeiros três trimestres deste ano. O elevado custo de vida teve um impacto mais pesado do que o esperado e, do lado externo, o comércio mundial deu pouco apoio”, justifica a Comissão Europeia.

Além disso, segundo Bruxelas, “a resposta da política monetária à inflação elevada está a fazer-se sentir na economia e os apoios orçamentais [dos países às economias] estão a ser parcialmente retirados”.

Inflação já atingiu o “pico”

A Comissão Europeia estima que a inflação já tenha atingido o pico na zona euro e na União Europeia (UE), após mínimos de dois anos em outubro, devendo fixar-se em, respetivamente, 5,6% e 6,5%, e continuar a descer.

“Estima-se que a inflação medida pelo IHPC [Índice harmonizado de preços no consumidor] tenha atingido um mínimo de dois anos na área do euro em outubro e prevê-se que continue a diminuir ao longo do horizonte de previsão”, indica o executivo comunitário, nas previsões económicas de outono, hoje divulgadas.

Segundo Bruxelas, prevê-se que, na zona euro, a taxa de inflação seja de 5,6% em 2023 e desça para 3,2% em 2024 e 2,2% em 2025.

Na UE, a inflação global deverá diminuir de 6,5% em 2023 para 3,5% em 2024 e 2,4% em 2025.

Se para este ano as projeções de outono são semelhantes às do verão, divulgadas em setembro passado, para 2024 há uma melhoria, após previsões de 2,9% na zona euro e de 3,2% na UE para o próximo ano.

“A descida acentuada dos preços da energia no consumidor ao longo do ano foi o principal motor, mas, nos últimos meses, a moderação da inflação tem sido mais generalizada, com várias medidas das pressões inflacionistas subjacentes a apontarem para um abrandamento da dinâmica dos preços. À medida que a contenção monetária continua a fazer-se sentir na economia, a inflação deverá continuar a diminuir, embora a um ritmo mais moderado, refletindo um abrandamento generalizado das pressões inflacionistas nos produtos alimentares, nos produtos manufaturados e nos serviços”, contextualiza Bruxelas, no documento hoje publicado.

Ainda no que toca aos preços da energia, “a reação dos preços do petróleo, tanto à vista como nos futuros, permaneceu globalmente moderada na sequência do ataque do Hamas a Israel e do subsequente conflito no Médio Oriente”, adianta a instituição.

Em meados de outubro, o preço do gás europeu voltou a subir, após uma tendência de descida pós-pandemia e pós-crise energética, devido aos receios de um conflito mais alargado no Médio Oriente, que podem colocar em risco os fluxos.

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